Tendência de preços mundiais mais firmes

Mesmo com denúncias de contaminação por arroz transgênico, preços internacionais do arroz norte-americano continuam firmes.

Em agosto, os preços mundiais tiveram uma alta, salvo na Tailândia, onde baixaram em função de um mercado externo pouco ativo. Segundo o levantamento mensal InterArroz, do analista Patrício Méndez del Villar (Cirad-França), os principais compradores buscam arroz mais barato, especialmente de origem vietnamita. Os preços do arroz dos Estados Unidos, por outro lado, se recuperaram mais uma vez, com resultado de uma demanda interna mais intensa para utilização industrial.

MERCADOS: Segundo o InterArroz, na Tailândia os preços caíram levemente em função de um mercado pouco ativo, combinado à valorização do bath – moeda local – frente ao dólar. Não obstante, os preços poderão se recuperar durante as próximas semanas com a reativação do programa governamental de sustentação aos preços internos diante da previsão da safra principal no final do ano. Em agosto, o Tai 100%B marcou uma média de US$ 319/t Fob, contra US$ 322/t Fob em julho. O quebrado A1 Super, baixou para US$ 220/t, contra US$ 224/t.

No Vietnã, os preços continuaram subindo em agosto, em função de um mercado extremamente ativo. As Filipinas, maior importador mundial em 2006, é agora o principal comprador do arroz vietnamita, mais competitivo que o produto tailandês. Em agosto, o Viet 5% subiu para US$ 267/t, contra US$ 264/t em julho. O Viet 25%, também se valorizou para US$ 247/t, contra US$ 243/t em julho.

No Paquistão, a alta dos preços continuou em função da escassa oferta para exportação. Todavia, com a chegada progressiva da nova safra (arroz Irri–6), os preços deverão baixar. Em agosto, o Pak 25% marcou uma média de US$ 249/t contra US$ 243/t em julho.

Na Índia, os preços caíram levemente em função da oferta suficiente para exportação. Para sustentar os preços internos, o governo federal decidiu aumentar os preços de intervenção e anunciou a reativação de seu programa de compras do produto em casca para recompor as reservas públicas.

Nos Estados Unidos, as vendas caíram pela metade em relação ao mês anterior (julho/2006). A presença de arroz transgênico nos embarques de arroz norte-americano inquieta o setor arrozeiro. Importadores como Japão, por exemplo, tem decidido por bloquear as importações de arroz dos EUA. A Comissão Européia anunciou também que rejeitará todo arroz com vestígios de OGM. Mesmo assim, os preços norte-americanos se encontram firmes em função, segundo alguns operadores, da perspectiva de uma forte demanda interna de grãos para a produção de biocombustível. Em agosto, o arroz Long Grain 2/4 marcou US$ 387/t contra US$ 379 em julho.

No Mercosul, os excedentes exportáveis obrigam os países da região a buscar novas opções de mercado. Com as perspectivas de demanda crescente de grãos para a produção de energia renovável e a concorrência inevitável pela terra entre produção agrícola alimentícia e energética, os países do Mercosul poderão ter uma atuação maior na produção e no abastecimento de grãos em nível mundial, graças à grande disponibilidade de terras agricultáveis.

Na África, a produção mais abundante este ano deverá limitar as importações de arroz. Não obstante, o déficit arrozeiro continua alto, com uma previsão de 9,2 milhões de toneladas importadas em 2006, ou 40% do consumo africano e um terço das importações mundiais.

O levantamento completo pode ser visualizado na página do Projeto Arroz Brasileiro:

http://www.arroz.agr.br/site/interarroz/index.php

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