Tratoraço prejudicou logística no Mato Grosso
Com a interrupção no escoamento de soja em conseqüência dos bloqueios nas estradas, principalmente no Centro-Oeste, houve atraso no frete-retorno com fertilizantes para a safra 2006/07, principal insumo para solos com poucos nutrientes desta região.
Os protestos de produtores de diversas regiões do país durante abril, maio e junho não serviram apenas para mostrar a crise que se encontrava o setor, mas para agravar ainda mais a situação de regiões que tem o frete como um dos principais gargalos no custo de produção. Com a interrupção no escoamento de soja em conseqüência dos bloqueios nas estradas, principalmente no Centro-Oeste, houve atraso no frete-retorno com fertilizantes para a safra 2006/07, principal insumo para solos com poucos nutrientes desta região.
Atualmente, a entrega deste insumo até julho aos agricultores mato-grossenses chegou a apenas 640 mil toneladas para a próxima safra. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) projeta um total de 3,2 milhões de toneladas de fertilizantes necessários para a aplicação nas lavouras do Estado este ano. As vendas de adubo totalizam 832 mil toneladas em MT, volume 50% inferior em relação ao registrado nos sete primeiros meses de 2005. Atualmente o Mato Grosso é o maior consumidor de fertlizante, com 18% da produção total.
Segundo o diretor executivo da Anda, Eduardo Daher, a entrega de fertilizantes em maio, mês do auge do Tratoraço em Mato Grosso, chegou a apenas 37 mil toneladas, enquando que no mesmo mês de 2004, quando a situação da agricultura era inversa, os produtores já haviam adquirido 440 mil toneladas para a safra 2004/05.
– Quando as lideranças estaduais se deram conta, resolveram terminar com os protestos porque perceberam que estavam encarecendo a produção – avalia Daher, que fez palestra nesta quarta-feira (09-08) no Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul (Siargs), em Porto Alegre.
Para compensar o atraso na entrega, a tendência é de maior movimento nos próximos meses em MT. Daher afirma que o colapso na logística deve ocorrer, pois a quantidade de adubo será muito grande até setembro, quando inicia o plantio de soja no Estado. Há estimativas de que a safra brasileira da oleaginosa não supera as 43 sacas por hectare, o que reduziria signficativamente a produção brasileira.
De acordo com a consultoria Agroconsult, que divulgou nesta quarta sua estimativa de safra, se as condições climáticas forem normais e houver uma “repetição do baixo uso de tecnologia” registrado na safra passada, a expectativa é de uma colheita de 49 milhões de toneladas de soja, queda de 7,4% em relação à colheita passada, estimada pela consultoria em 52,9 milhões de toneladas. O alto grau de endividamento do setor é a principal causa do recuo. Daher aconselha os produtores a reduzir a área e utilizar mais fertilizantes, ao invés de aumentar a área e reduzir a quantidade de adubo.
No primeiro semestre do ano a entrega de fertilizante caiu 3% em comparação a igual período do ano passado. Só em junho último a queda foi de 15%. Para a Anda, este é o retrato da crise que vive o agronegócio brasileiro, provocada pelo câmbio, a Ferrugem Asiática e o clima. Os grãos, como soja, milho, trigo e arroz são os maiores prejudicados. O endividamento do setor e a falta de rentabilidade continuarão pesando sobre a agricultura no próximo plantio, apesar dos programas emergenciais do governo de apoio à comercialização e das renegociações de débitos.
Mas Daher ressalta que os números para até 2010 são positivos, mesmo mostrando um avanço menor em relação ao período que engloba de 2000 a 2004.
– De 2006 até 2010 o setor deve apresentar incremento médio de 4% ao ano, enquanto de 2000 a 2004 a alta foi de 8,5%. Daqui a quatro anos vamos voltar ao patamar que havíamos atingido em 2004, melhor ano da agricultura brasileira – salienta.


