Última ajuda do governo foi em 1999

Pedidos de ajuda começaram há um ano e meio, com o alerta dos arrozeiros para os excedentes do Mercosul e a autosuficiência brasileira na produção de arroz.

A última aquisição de arroz feita pelo governo federal para regular o preço da saca de 50 quilos ocorreu em 1999, quando a produção foi excessiva. A compra foi de 2 milhões de toneladas de arroz e, desde então, esse estoque passou a ser administrado pela cadeia produtiva dos principais Estados produtores com a implantação de programas de auto-suficiência.

Os estoques do governo federal terminaram em 2002, o que determinou uma nova recuperação do preço do arroz. Depois de duas safras com preços altos e satisfação para o produtor, foi a vez da auto-suficiência produtiva derrubar os preços.

A diferença é que desta vez não existe uma sinalização do governo federal para intervenção no mercado.

– O valor bruto de produção caiu 32% nos dois últimos anos e isso significa que R$ 1,2 bilhão deixaram de circular na economia da metade Sul do Rio Grande do Sul – informa o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Pery Sperotto Coelho.

Impostos prejudicam a competitividade

A aquisição de arroz pelo governo federal não ficaria restrita à satisfação dos produtores rurais. Os estoques do cereal poderiam ser incluídos em programas sociais como o Fome Zero ou serem utilizados como política institucional em países que recebem auxílio humanitário do Brasil como o Haiti e a Angola.

Outra situação que precisa ser revista pelo governo federal é o relacionamento comercial com os países do Mercosul.

Uruguaios e argentinos importam máquinas brasileiras, não enfrentam o custo Brasil (alta carga tributária) e ainda são beneficiados com a queda do dólar e insumos com preços 40% inferiores, sem relação aos produtos comercializados no Brasil.

– Gostaríamos de ter as mesmas condições de competitividade – resume Coelho.

Os produtores estão insatisfeitos também com o altos custo do dinheiro, que compromete os lucros de toda a cadeia produtiva do campo.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter