União pode prorrogar vencimentos de março e abril por mais 60 dias
O governo federal pretende prorrogar mais uma vez as parcelas de custeio da safra passada (04/05) que venceriam em 20 de março e 15 de abril. Este é um dos três temas da agenda dos arrozeiros com a União.
O vice-presidente de Agronegócios e Governo do Banco do Brasil (BB), Ricardo Conceição, anunciou ontem que a União articula prorrogar mais uma vez as parcelas de custeio da safra passada (04/05), com vencimento redirecionado ainda no ano passado, para amanhã e para o dia 15 de abril.
A medida depende dos votos do Conselho Monetário Nacional (CMN) e pode ser anunciada a qualquer momento. Caso seja aprovada, os produtores que ainda têm a safra ganharão um fôlego de mais 60 dias.
Conceição deixa claro que a decisão depende exclusivamente da União.
– O banco só aguarda o resultado desta flexibilização. Esse prazo de 60 dias é justamente para que o produtor consiga comercializar parte da nova safra e obter capital para honrar este compromisso. afirmou.
A postergação dos pagamentos de custeio da safra 04/05, para cultura de arroz, milho, soja e algodão, foi um dos frutos do movimento Tratoraço O Alerta do Campo, que reuniu em junho de 2005 cerca de 20 mil produtores brasileiros em Brasília. Naquela ocasião, R$ 250 milhões foram prorrogados em todo o País e cerca de 50% deste valor já foi pago antes do vencimento.
Em Mato Grosso, as prorrogações somaram cerca de R$ 70 milhões e, conforme informações da superintendência do BB, R$ 34 milhões já foram pagos e cerca de R$ 36 milhões seriam quitados entre hoje e 15 de abril.
DÍVIDA GLOBAL
Durante um café da manhã com as principais lideranças rurais do Estado, Conceição pôs fim às esperanças que o setor carrega em conseguir rever as taxas de juros que o BB está aplicando em uma política própria de renegociação das dívidas da safra passada.
– Estamos fazendo aqui no Estado o que nunca fizemos em nenhum outro lugar. As condições de juros são mínimas para quem opera com dinheiro captado no mercado. Quando as contas vencem, sai o juro do crédito rural (8,75%) e entram taxas de mercado – sentencia.
O vice-presidente disse ainda que, apesar de todo um esforço e empenho feitos ao conselho diretor da instituição, ele ia retornar a Brasília com apenas 25% de adesões à recomposição que o BB está oferecendo aos produtores estaduais.
A meta da renegociação era liquidar um saldo negativo de débitos (de custeio à securitização) de cerca de R$ 957 milhões, de um volume de 2,08 mil produtores inadimplentes.
– Como o prazo para adesão termina dia 20 e não será estendido, espero que nesta semana haja uma avalanche de propostas, pois até agora somente 500 produtores aderiram. Quando o prazo de 20 de março vencer, o assunto passará a ser conduzido pelo departamento jurídico do BB. Sai da área de crédito.
A proposta do BB é de juros de 1% e 1,3% ao mês, mais Índice de Reajuste da Poupança (IRP), o que ao ano gera juro de cerca de 16%.
– É o mínimo que conseguimos chegar – ressalta o superintendente de Varejo do BB, Renato Barbosa.
O gerente de Mercado de Agronegócios do BB, Olímpio Vasconcelos, aponta que, das 500 propostas acolhidas, mais de 300 estão aprovadas.
Indagado sobre a pouca participação dos produtores na recomposição — que dizem estar afugentados em razão dos juros adotados –, Conceição explica que eles (produtores) estão à espera de um milagre.


