Vendas de sementes estão paradas

Baixa demanda por sementes preocupa comerciantes no Mato Grosso.

As grandes empresas que comercializam sementes de arroz em Mato Grosso começam a sentir os efeitos da crise. Muito pouco foi vendido até agora. Há empresas que não chegaram a fazer sequer uma venda.

– A comercialização está parada porque o produtor está sem dinheiro para comprar sementes – explica o agrônomo Mairson Santana, da Agro Norte, em Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá).

Ele confirma que o mercado estadual de arroz é uma incógnita no momento.

– Tenho percorrido todas as Região de Mato Grosso que cultivam o arroz, como Tapurah, Nova Maringá e Xingu, e o que vejo é um forte desânimo por parte dos produtores – relata.

De maneira geral, Santana explica que a empresa onde trabalha, a Agro Norte, efetuou poucos negócios este ano, só conseguindo vender 15 mil sacas de semente da variedade Cirad e 20 mil de Primavera. No ano passado, nesta mesma época do ano, a sementeira já havia vendido 90 mil sacas de sementes.

– A verdade é que o produtor está muito receoso em comprar semente crioula (de má qualidade) nos armazéns porque ele já fez essa experiência na safra passada e hoje colhe os frutos do prejuízo – acrescenta.

Santana revelou que a Agro Norte conta com um estoque de 150 mil sacas de sementes da variedade Cirad e outras 50 mil de Primavera. Ele acredita que este ano o produtor irá procurar semente de qualidade para não correr o risco de contabilizar perdas de rendimento nas lavouras e nem altos investimentos em agroquímicos.

Ele acredita que a área plantada deverá cair em torno de 70% este ano, com o Primavera ficando com 60% da área que for cultivada e o Cirad, com 40%.

– A situação vai se inverter, mas não há risco de faltar sementes porque a procura é baixa e a redução de área é certa no próximo ano-safra – finalizou.

Agenor Vicente Pelissa, da Agropel Sementes, diz que até agora vendeu só 10 mil sacas de arroz Primavera e nenhuma da variedade Cirad.

– O mercado de sementes está frio. Ninguém vende nada. Não há dinheiro. Sinto que este ano vai ser uma calamidade em termos de produção de arroz – opinou.

Historicamente, de acordo com Pelissa, o mercado de sementes já deveria ter efetuado 80% dos negócios até o mês de agosto. No ano passado, nesta mesma época, a Agropel já havia comercializado 70 mil sacas. Este ano, se considerarmos todo o mercado, não chegamos a 30%.

– A situação é preocupante e não sabemos o que irá acontecer nos próximos 40 dias, quando começa o período de plantio.

A Agropel tem estoque de 20 mil sacas de arroz da variedade Cirad e outras 40 mil da Primavera prontas para serem comercializadas.

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