Uberlândia: quebra de safra provoca alta do arroz

Projeção é do Sindicato da Indústria do Arroz de Minas Gerais (Sindarroz-MG).

O principal alimento consumido por milhares de brasileiros, o arroz, pode ter uma alta superior a 60% no próximo ano. O motivo da correção é a quebra prevista para a safra 2005/2006 brasileira, estimada em aproximadamente 30%. De acordo com projeções do Sindicato da Indústria de Arroz, Feijão e Milho de Minas Gerais (Sindarroz), o pacote tipo 1 de cinco quilos (atualmente vendido a partir de R$ 6 em Uberlândia) pode chegar às gôndolas dos supermercados por até R$ 10.

A queda na produção e, conseqüentemente, a elevação do preço do produto em 2006 são o reflexo da grande oferta do grão neste ano e das baixas cotações registradas nos últimos meses.

Segundo contabilizou o presidente do Sindarroz, Jorge Tadeu Araújo Meirelles, os produtores trabalharam no vermelho em 2005. Isso porque a saca do produto, atualmente vendida a uma média de R$ 30, chegou a ser comercializada por R$ 20. O resultado negativo é explicado em parte pelo custo de produção do arroz tipo 1, que gira em torno de R$ 35 a saca em MG.

– Os produtores tiveram de tirar este dinheiro do bolso. Todos trabalharam no prejuízo neste ano – afirma.

Os números que explicam este fenômeno são simples. Em 2005, a safra nacional foi de 13 milhões de toneladas que, somadas a 1,5 milhão de toneladas vindas da Argentina e Uruguai, chegam ao volume de 14,5 milhões de toneladas.

O consumo brasileiro de arroz, entretanto, ficou estacionado em 12,5 milhões de toneladas. Resultado: a oferta do produto excedeu à demanda do mercado interno. E por que importar arroz, mesmo com a safra recorde? O presidente da categoria explica: “O produto do Mercosul chega ao mercado brasileiro com muita competitividade. Lá [na Argentina e Uruguai] a carga tributária é muito inferior à nossa”, conta. Exatamente por isso, Jorge Tadeu Araújo criticou a postura do governo federal. “O arroz é um alimento básico para a população. O governo deveria ter uma política mais clara, trabalhar com um estoque regulador para evitar desestímulo nestas proporções”, diz.

A quebra na safra foi a conseqüência natural mediante a insatisfação dos produtores. Muitos retornaram para outras culturas como o milho e a soja. Um dos motivos é a convergência de tecnologia, geralmente utilizadas nestas lavouras. Os preços baixos assustaram os investidores. Nos anos anteriores, 2003 por exemplo, o Brasil teve de importar o produto de outros países, devido à falta no mercado nacional. Os principais fornecedores naquela época foram os países do Mercosul, a Tailândia, Vietnã e os Estados Unidos. Diante da escassez do grão, os agricultores chegaram a ser remunerados em 2003 em até R$ 50 pela saca.

PRODUÇÂO

Em função das chuvas registradas nas últimas semanas, o plantio da safra 2005/2006 será encerrado somente nos próximos dias. Em decorrência das baixas cotações, a área plantada de dois milhões de hectares no ano passado terá uma redução de aproximadamente 30% em 2006. Os reflexos foram sentidos mais fortemente em Minas e, mais especificamente no Triângulo, de acordo com estimativas do Sindarroz. Segundo informou o presidente da instituição, Jorge Tadeu Araújo Meirelles, em Minas Gerais e na região a redução da área plantada deve chegar a 50%. “A cultura do cultivo de arroz não é muito forte aqui”, explica.

O Triângulo é responsável por aproximadamente 30 mil toneladas (5% da produção mineira), estimada em 600 mil toneladas. Os Estados campeões na produção do grão são o Rio Grande do Sul com 50% do arroz colhido no País, seguido do Mato Grosso do Sul com 20%, Santa Catarina (15%) e os demais (Minas Gerais, Tocantins, Goiás e Maranhão) com 15%.

ARROZEIRAS

A queda no preço do arroz também trouxe impactos negativos para as indústrias de beneficiamento do grão, as arrozeiras. De acordo com o diretor do Arroz Resende, Derotides Resende Borges, a queda no faturamento da empresa neste ano deve chegar a 20% em comparação com o resultado de 2004. O pacote de cinco quilos tipo 1 da marca foi repassado ao varejo a uma média de R$ 5,83 e, posteriormente, vendido ao consumidor por R$ 6,5. As correções previstas para 2006, entretanto, representam a possibilidade de recuperar parte do resultado negativo deste ano.

– Acreditamos que no próximo o preço do pacote de 5 quilos deve ficar entre R$ 9 e R$ 10 para o consumidor. Esse valor sem dúvidas é melhor que o praticado neste ano – avalia.

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