Distância entre comprador e vendedor trava o mercado em junho
Em Alegrete, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, a saca de 50 quilos de arroz em casca tipo 1 é negociada, em média, a R$ 20,75. Em Sinop, no Mato Grosso, a saca de 60 quilos do primavera vale R$ 24,00.
O mercado brasileiro de arroz mostrou um distanciamento bastante grande entre as pontas compradora e vendedora no mês de junho. Por um lado, o produtor está cauteloso, retraindo a oferta, pois acredita em uma recuperação dos preços nos próximos meses.
– Na outra ponta, redes varejistas demonstram pouco interesse de compra, alegando estarem com as vendas desaquecidas – acrescentas o analista de SAFRAS & Mercado, Tiago Barata.
Já as indústrias de beneficiamento alegam estar com estoques completamente cheios, ainda com muito arroz da safra 2005/2006, é precisam sacrificar suas margens para manter espaço nas gôndolas dos supermercados, impossibilitando a aquisição de matéria-prima por preços melhores.
– A resistência dos produtores em ofertar da safra vem sustentando as cotações, impedindo que o comportamento sazonal dos preços se manifeste – explica Barata.
No entanto, tal conduta deve estabelecer uma concentração da oferta no segundo semestre, minimizando a tão esperada recuperação dos preços.
Em Alegrete, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, a saca de 50 quilos de arroz em casca tipo 1 é negociada, em média, a R$ 20,75. Em Sinop, no Mato Grosso, a saca de 60 quilos do primavera vale R$ 24,00. No mercado beneficiado, a saca de 60 quilos vale R$ 55,00 para o agulhinha tipo 1.
O Plano Safra para o período 2007/08, divulgado nesta quinta-feira (29), foi avaliado positivamente pelo presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Maurício Fischer, em nota à imprensa.
– O Plano é favorável, mas o setor arrozeiro esperava uma redução dos juros mais significativa – comentou Fischer.
O governo federal reduziu as taxas de juros de 8,75% para 6,75% ao ano. O Plano prevê, também, um aumento de 16% do valor destinado ao crédito rural e amplia os limites de financiamento para custeio, investimento e empréstimos (EGF) para as lavouras irrigadas de arroz. Na safra passada, o valor praticado era de R$ 400 mil por produtor, passando, agora, para R$ 450 mil.
Conforme o governo, deverão ser feitos leilões de equalização de preços antes do plantio, garantindo aos produtores o preço mínimo em 2008.
– De uma maneira geral, o Plano Safra trará reflexos positivos para a lavoura orizícola gaúcha, principalmente quanto à comercialização e os limites de financiamento para o custeio – finaliza Fischer.


