Projeto viabiliza irrigação de arroz em Camaquã (RS)

Para aumentar o atendimento aos produtores da região, foi finalizado recentemente um projeto de retirada de água da lagoa dos Patos.

Os dirigentes da Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação do Arroio Duro (AUD) estão em contagem regressiva para ampliar o fornecimento de água aos arrozeiros de Camaquã e arredores. Para aumentar o atendimento aos produtores da região, foi finalizado recentemente um projeto de retirada de água da lagoa dos Patos.

São 50 mil hectares de terras potencialmente irrigáveis na região, conforme explica o gerente-técnico da AUD, o engenheiro civil João Viegas. Hoje, o atendimento é restrito a 18 mil hectares.

– São mais de 600 produtores associados, ligados a cerca de 400 propriedades – afirma Viegas.

Em média, eles produzem 6.000 kg/ha de arroz. O custo do hectare irrigado é de R$ 208,00.

Somente para desenvolver o projeto, já foram investidos R$ 500 mil. Quando for concluído, terá custado R$ 30 milhões, estima Viegas. Apesar de haver lista de espera de produtores para integrarem o programa de irrigação, ainda não há previsão para o início das obras.

– Os estudos de viabilidade e de impacto ambiental já foram finalizados. Agora, falta o governo federal dar o primeiro passo – diz.

No começo deste ano, um outro investimento aprimorou o sistema de monitoramento de níveis e volume de água, implantado com o objetivo de otimizar a utilização dos recursos hídricos, com redução de perdas e conseqüente aumento na oferta de água para as atividades do perímetro.

O Ministério da Integração Nacional investiu R$ 400 mil na implantação do sistema, desenvolvido através de convênio com a AUD. O novo sistema possui uma rede de 35 postos que monitoram o nível da água nos canais de irrigação e drenagem ao longo do perímetro. Via telemetria, as informações são armazenadas automaticamente e transmitidas de hora em hora ao escritório central, onde é feito o processamento dos dados por meio de software especialmente desenvolvido para este fim.

O programa informa ao usuário as vazões de entrada e saída dos principais pontos do perímetro irrigado, a vazão instantânea, o volume de água consumido por cada lavoura irrigada até aquele momento e a projeção de consumo por hectare até o final da safra. O sistema monitora também os níveis de água no reservatório e no rio Camaquã, principais fontes de abastecimento do perímetro. Complementam o sistema duas estações meteorológicas que informam os níveis de precipitação pluviométrica, além de outros parâmetros climáticos.

Com todos os dados em mãos, o gerenciador de operações do perímetro realiza os ajustes necessários nas estruturas hidráulicas que compõem a infra-estrutura de irrigação. No futuro, o sistema informatizado de monitoramento vai proporcionar ao produtor uma interação com as informações de consumo de sua lavoura disponibilizadas via internet.

Outras vantagens do sistema são a possibilidade de medir e tarifar o consumo de água de acordo com volume realmente utilizado; aumentar a oferta de água e a área irrigada em até 20%; e, principalmente, atender às exigências dos organismos ambientais quanto à racionalização do uso da água e a auto-sustentabilidade na produção de arroz irrigado.

A barragem do Arroio Duro foi inaugurada em fevereiro de 1967, com o objetivo de regularizar a vazão do arroio e drenar áreas adjacentes, eliminando todos os pequenos açudes e integrando essas áreas ao processo produtivo. As águas para a irrigação são armazenadas durante o inverno e distribuídas no período da safra.

O projeto de irrigação do Arroio Duro passou a ser gerenciado pela associação desde 1992; antes disso, o programa de irrigação para os arrozeiros da região era gerido pelo Departamento Nacional de Obras de Saneamento (Dnos), extinto pelo governo Fernando Collor de Mello.

– Para não ficar acéfalo, a associação assumiu a frente das operações, depois que recebeu a concessão do governo para operar o projeto – explica Viegas.
Associação desenvolve experimentos com o Irga

Além de gerir a irrigação das propriedades associadas, a AUD já há alguns anos vem desenvolvendo, em convênio com o Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), diversos experimentos com a cultura do arroz irrigado, em uma área de até 17 hectares, localizada junto à rodovia BR-116.

Alguns dos projetos são: ensaio regional de variedades; tolerância das linhagens ao ferro, com aproximadamente 9.000 linhagens; ensaio com diferentes épocas de adubação e cobertura, juntamente com o início da irrigação; e testes de herbicida desenvolvidos com empresas privadas. Um convênio firmado entre a AUD e o Irga permite que a associação receba semente pré-básica para a produção da semente básica, no sistema de transplante de mudas.

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