Federarroz aposta em recuperação de preços

Com base nos estoques, no consumo previsto, alongamento da entressafra e atraso no plantio, entidade dos arrozeiros acredita que os preços ao produtor devem voltar a patamares mais justos ao produtor. VEP está descartado por hora.

Alguma coisa não está fechando na equação do mercado do arroz no Brasil. Enquanto são cada vez mais insistentes as notícias de alta nos preços do cereal ao consumidor em todo o país, os produtores do Rio Grande do Sul, principal produtor do País, seguem recebendo cada vez menos da indústria.

– Alguém está especulando, ganhando muito em cima disso. O produtor está cada vez ganhando menos, o consumidor pagando mais e no meio tem alguém ganhando muito – afirmou, com indignação, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) Renato Rocha.

Segundo ele, este é o sentimento dos produtores. Na última semana a Federarroz posicionou-se contrária a realização dos leilões de VEP, considerados perigosos para o mercado neste momento.

– Pedimos a suspensão em razão do risco que este programa poderia oferecer. Há uma grande possibilidade deste produto circular internamente no mercado e derrubando preços. Ninguém é capaz de garantir o contrário, não há segurança suficiente – alertou.

Inicialmente a entidade foi favorável à medida, mas a partir de um estudo mais detalhado, consideraram que alguém poderia beneficiar-se dos incentivos do governo e ainda circular internamente com o arroz, prejudicando ainda mais o cenário ao produtor.

– Estamos estudando profundamente um sistema que permita ao governo um controle rigoroso destes volumes – acrescentou.

MERCADO – Ainda segundo Renato Rocha, os estudos realizados pela Federarroz apontam para um cenário de estabilidade nos preços nos próximos dias, mas recuperação gradual nas próximas semanas e meses até fevereiro/março. Ele afirma que os volumes de consumo, estoques públicos e privados e o alongamento da entressafra pelo atraso no plantio da lavoura gaúcha e de outras regiões, indicam que na safra haverá baixíssimo volume de produto disponível.

– Apesar de uma pressão contrária da indústria, os preços vão se recuperar por uma questão de mercado, que hoje tem um comportamento muito estranho. O Brasil, segundo dados da Conab, consome quase 1,1 milhão de toneladas por mês. Considerando os estoques públicos e privados do Rio Grande do Sul, chegamos a 2,5 milhões de toneladas. Considerando mais Santa Catarina, com estoques ajustados, Uruguai e Argentina praticamente sem produto, o arroz que temos deve dar para três meses, mesmo com a importação. Ainda se houver distorção, com estoques a maior, o estoque de passagem será ajustado – argumenta o presidente da Federarroz.

Ainda segundo Renato Rocha, o Brasil deverá produzir entre um e 1,3 milhão de toneladas de arroz a menos do que o consumo previsto para 2008. Isso representa que o ano será novamente de uma situação muito ajustada e que o controle de oferta poderá definir preços mais justos ao produtor.

– Hoje o comportamento do mercado é pontual e estranho. As informações dizem que não há procura nem oferta no mercado e misteriosamente o casca perdeu preço enquanto o do beneficiado não pára de subir para o consumidor. Como isso se justifica? Fatalmente o mercado terá que voltar a recuperar preços ao produtor, que é só quem está arcando com grandes prejuízos neste processo.

Rocha lembra que o produtor de arroz do Rio Grande do Sul está há 38 meses com preços do produto abaixo do custo de produção e que é a base da cadeia produtiva. “Acumulando perdas e sem ter como repassar na venda, pois o mercado dita os preços e ainda os custos de insumos em alta, o produtor é quem acumula os prejuízos nos últimos anos. É preciso que o governo e a cadeia produtiva tenham isso em mente. Para tudo tem um limite”, afirma.

CONTROLE

A boa notícia da semana é que o governo gaúcho está terminando a regulamentação da lei estadual 12.427 para publicação. A lei obriga a pesagem e exames fitossanitários no arroz importado, inclusive do Mercosul, onde o uso de defensivos não permitidos no Brasil é disseminado. Isso poderá reduzir o volume de importações. Outra notícia do interesse dos arrozeiros é que o Irga conclui o recurso judicial para cassar a medida que suspendeu a cobrança da taxa CDO de R$ 0,32 por saca de arroz importado. Os produtores acreditam em nova vitória no caso.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter