E os preços do arroz voltam a ficar abaixo do mínimo

Cepea/Esalq indica o preço do arroz gaúcho abaixo dos R$ 22,00 pela primeira vez em mais de três meses. Arrozeiros acreditam em recuperação, o Governo pensa em intervir com novos mecanismos e o restante da cadeia produtiva quer arroz barato
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A corda está estourando de novo do lado do produtor de arroz. Enquanto os preços no varejo não páram de subir nos últimos 60 dias, o valor pago pelo arroz ao produtor gaúcho e catarinense não pára de cair. Esta semana o indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F indicou pela primeira vez em três meses preços abaixo dos patamares do preço mínimo de R$ 22,00.

Na segunda-feira o preço médio no Rio Grande do Sul para o arroz com 58×10, em sacas de 50 quilos, colocado na indústria (frete incluso) ficou em R$ 22,00. Nesta quinta-feira, a cotação foi de R$ 21,96, acumulando 2,7% de queda nos preços ao produtor em novembro. Ou seja, o preço pago ao arrozeiro, na porteira, varia de R$ 0,50 a R$ 1,50 abaixo destes patamares, apesar da semana ter iniciado com boa procura, principalmente por indústrias de fora.

Este indicativo é confirmado por uma negociação de 20 mil sacas de arroz em São Gabriel para a indústria catarinense por R$ 21,50 (ao produtor), nesta semana. Em municípios como Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Alegrete, Restinga Seca, Tapes e Guaíba preços indicados entre R$ 21,00 e R$ 21,50, até com negociações em valores inferiores para arroz parboilizado. A Fronteira também cedeu mais fortemente nos preços, com padrões até R$ 1,00 inferiores à semana anterior.

Nesta sexta-feira, foi grande a movimentação das lideranças arrozeiras em busca da elaboração de um plano emergencial de socorro ao setor. Em videoconferência, a Federarroz voltou a estudar o VEP, mas quer regras muito claras que impeçam as indústrias e, principalmente, os especuladores, que usarem os recursos para jogar o produto no mercado interno. Para a Federarroz, o Mercado tende a se ajustar nos próximos dias em função do equilíbrio entre os estoques projetados pela Conab para o arroz e o consumo. Todavia, a própria Conab prevê que precisará reavaliar estes números.

Com a semana passada encurtada por feriadão o varejo apareceu mais fortemente comprador na segunda e na terça-feira, voltando a recuar no restante da semana, acentuando a queda nos preços registrada pelo Cepea.

Camaquã, Pelotas, Itaqui e Uruguaiana trabalham com preços na base de R$ 22,25 a R$ 23,00 para o arroz colocado na indústria. Parboilizado até um real abaixo. Variedades nobres, dependendo do percentual de grãos inteiros, variam de R$ 22,00 a R$ 23,50 na maioria das regiões, chegando a R$ 24,50 no Litoral Norte.

ESTADOS

Em Santa Catarina, com produção e demanda ajustadas, o mercado sente o reflexo da queda no Rio Grande do Sul e opera com média de R$ 21,67 nesta semana, segundo indicadores do Icepa. Os catarinenses, que iniciaram antes a formação das lavouras, também devem colher antes, garantindo não só a colheita da soca em algumas regiões, como as melhores épocas para alta produtividade.

No Mato Grosso, o mercado e lento e difícil, inclusive com algumas empresas pensando em mudar de estado em função da falta de rentabilidade. Seguem ocorrendo pequenas compras no Rio Grande do Sul em volumes que, comparados com a qualidade e os preços do arroz mato-grossense, compensam, mas não geram rentabilidade na relação com o varejo.

A Famato segue indicando preços de R$ 30,00 em média para o arroz mato-grossense nas praças de Sinop e Sorriso e R$ 33,00 em Cuiabá e Várzea Grande. Trata-se de arroz primavera e com percentual de inteiros abaixo dos 50%. Só a escassez de produto justifica os preços para um produto de baixa qualidade. A falta de rentabilidade, no entanto, também não está permitindo a compra de arroz superior no Sul do Brasil.

BENEFICIADO

O mercado de arroz beneficiado até esquentou no início da semana, numa reação normal para o feriadão da semana anterior. Todavia, de quarta-feira em diante voltou a reduzir. O preço do fardo de arroz gaúcho, tipo 1, e catarinense, se mantém entre R$ 34,00 e R$ 39,00, em média, dependendo da marca e posição no consumo. A média, para o arroz industrializado gaúcho é mantida em R$ 34,00 a R$ 34,50. O catarinense fica em R$ 36,85 colocado em São Paulo. O saco de arroz branco, 60 quilos, é cotado a R$ 47,00 no Rio Grande do Sul e chega a São Paulo por preços entre R$ 58,00 e R$ 60,00.

Os derivados apresentaram estabilidade nas cotações, nos preços desta semana, segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre. A saca de canjicão (quebrado) segue cotada a R$ 31,00. A quirera valorizou face às exportações, chegando a R$ 25,00 e o farelo manteve-se em R$ 290,00 a tonelada. A Corretora Mercado indica R$ 22,00 de preço médio à saca de arroz com 50 quilos (padrão 58% de inteiros), no Rio Grande do Sul.

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