Preços do arroz têm forte queda nesta entressafra

Leia a seguir a análise de Carlos Cogo e do Irga sobre o cenário e as tendências do mercado de arroz.

“O mercado de arroz do Rio Grande do Sul voltou a cair e, pela primeira vez em três meses, a cotação do produto está abaixo de R$ 22,00 por saco de 50 Kg. Conforme o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor foi cotado a R$ 21,89 por saco de 50 Kg na última semana no Estado. Em novembro a queda chega a 3% e o preço praticado está 10% abaixo do valor no mesmo período do ano passado.

Para os analistas de mercado do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a indústria está com pouco interesse de compra, alegando dificuldades de negociação com o varejo. Os negócios, segundo os analistas, são realizados em pequenas quantidades, evidenciando um comportamento cauteloso por parte dos operadores diante das incertezas do mercado. Além disso, os produtores precisam cumprir os compromissos assumidos e, assim, comercializam o produto para saldar dívidas.

As variedades tops de mercado conseguem um bom preço, principalmente no Litoral Norte gaúcho. Em Santo Antônio da Patrulha, a saca de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, da variedade IRGA 417, é comercializada a R$ 26,00. No município de Palmares do Sul, a saca é vendida entre R$ 24,00 e R$ 27,00, com alta qualidade de grãos. O acompanhamento semanal de preços do Irga informa, também, que a cotação média do produto na Fronteira Oeste está em R$ 22,36. Nesta região, o preço máximo na última semana foi de R$ 23,00 em Alegrete. Na Campanha, o arroz está cotado, em média, a R$ 21,81, com picos de R$ 22,00 em Bagé e São Gabriel.

A mesma tendência de mercado é acompanhado pela Zona Sul. De acordo com o levantamento, o preço médio está em R$ 21,83. Em Pelotas, a saca de 50 quilos é vendida, em média, a R$ 22,50. Por outro lado, a falta de produto nos estados do Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste é crescente e poderá melhorar a situação do mercado gaúcho. As indústrias beneficiadoras destes estados estão comprando o arroz em casca do Rio Grande do Sul em quantidades médias, com um possível aumento nas aquisições.”

Fonte: Irga 26/11/07.

Agora, leia a seguir as projeções feitas pelo Irga (disponíveis no site www.irga.rs.gov.br), através de seus diretores e técnicos, embasadas em um quadro de Oferta e Demanda da Conab equivocado (comprovadamente) e “idolatrado” por algumas lideranças gaúchas, nos últimos meses:

Irga em 17/08/07:

“A recuperação da cotação do arroz nas últimas semanas trouxe um pouco de esperança aos produtores gaúchos. Após três safras amargurando prejuízos, os arrozeiros estão comercializando o produto por valores acima do preço mínimo, o que não ocorria há quase um ano. Conforme o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a cotação chegou a R$ 23,60, em média, nessa quinta-feira (16/08). Para o diretor comercial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) Rubens Silveira, a recuperação nesta safra está acontecendo de maneira gradual e sólida. Segundo ele, ao contrário das últimas safras, o mercado se consolidou com o quadro de oferta e demanda ajustado.”

Irga em 10/08/07:

“Seguindo a tendência dos últimos 15 dias, a cotação do arroz registrou um aumento de 2% durante a semana e chegou a R$ 23,03. Conforme o indicador de preços do Cepea, o valor é o maior desde dezembro de 2006, quando a cotação se aproximou de R$ 25. O assessor de mercado do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Camilo Oliveira, explica que a recuperação do setor está ligada à restrita oferta do produto por parte dos produtores gaúchos. Para Oliveira, o mercado está assimilando a redução da produção. Segundo ele, o consumo previsto é maior que a produção. Além disso, as importações estão dentro das expectativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e não deverão passar de 1 milhão de toneladas.”

Irga em 05/06/07:

“Após reunião realizada no último dia 30, entre o Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e demais representantes da Cadeia Produtiva do Arroz do Rio Grande do Sul e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), onde foram discutidos ajustes nos dados do Quadro de Oferta de Demanda para o arroz, foi divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dados atualizados que integram um novo Quadro de Oferta de Demanda para o cereal que permite projetar cenários de preços para o segundo semestre. Os resultados registrados evidenciam aspectos positivos para o setor arrozeiro para a atual safra. Segundo dados divulgados, a produção brasileira será de 11,4 milhões de toneladas, onde o Rio Grande do Sul atingiu uma produção de 6,4 milhões de toneladas. Os estoques iniciais são de 1,54 milhão de toneladas com 900 mil de importações e 350 mil de exportações. Além de considerar que o consumo se mantém estável em 13 milhões de toneladas, o estoque final da safra atual será de 492 mil toneladas. Desta forma, o Quadro de Oferta de Demanda se apresenta bastante ajustado, com menos de 15 dias de consumo, o que representa apenas 32% dos volumes do estoque do final da safra passada. Os resultados projetam uma recuperação nos preços internos do cereal no atual ano safra.”

Irga em 11/05/07:

“A cotação do arroz estável mostra perspectiva favorável para o
segundo semestre. A cotação do arroz se manteve estável novamente durante esta semana. Conforme o acompanhamento semanal do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) a saca de 50 quilos foi comercializada a R$ 20,29. O preço do cereal caiu oito centavos em relação ao último levantamento, mas em algumas regiões as indústrias chegam a pagar cerca de R$ 2 a mais por um produto de boa qualidade, como as variedades IRGA 417 e a BR IRGA 409. Segundo o presidente do Irga, Maurício Fischer, o cenário brasileiro aponta para uma gradual recuperação dos valores. Além dos leilões estarem sinalizando R$ 26 para o mês de outubro, o quadro de produção e consumo está desajustado, segundo ele. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve produzir 11,29 milhões de toneladas, enquanto o consumo deverá ser de 13 milhões. Este panorama deve recuperar o preço do arroz no segundo semestre, considerando que no primeiro período os produtores necessitam vender uma quantidade significativa da produção para cobrir as despesas da lavoura.”

ANÁLISE –

“Todas as projeções, portanto, asseguravam uma recuperação dos preços do arroz neste segundo semestre. Não confirmadas. Baseadas em dados da Conab, com erros já admitidos na mídia pela estatal (que ainda não sabe onde estão os erros no quadro de Oferta e Demanda), todos foram intuídos a acreditar que os estoques de passagem eram baixos e que os preços teriam uma boa recuperação neste segundo semestre.

Nossa empresa de Consultoria está a serviço das indústrias. Está a serviço das redes varejistas. Está a serviço das cooperativas. Está a serviço dos bancos. Está a serviço das empresas de defensivos e de máquinas agrícolas. Está a serviço de produtores de arroz lúcidos que não acreditam em Papai Noel, nem em informações desencontradas, sem base científica e sem mais nenhuma credibilidade. E assim seguirá a serviço de uma única coisa: a VERDADE”.

Carlos Cogo

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