Futuro incerto traz cautela ao mercado de arroz

O enfraquecimento do arroz em casca contraria a sazonalidade histórica do preço do cereal no Rio Grande do Sul, quando, na entressafra, o produto apresenta valorização, em conseqüência da redução da disponibilidade nesta época.

Restando apenas três meses para o término deste ano comercial e com o plantio da nova safra próximo da sua conclusão nas principais regiões produtoras (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), ainda não existem definições concretas que possam ser consideradas para traçar perspectivas seguras para o mercado doméstico de arroz nas próximas semanas.

Atualmente, as informações oficiais das duas forças máximas que estabelecem a composição do preço da saca de arroz em casca (oferta e demanda) não refletem a realidade do comportamento do mercado. O enfraquecimento do arroz em casca contraria a sazonalidade histórica do preço do cereal no Rio Grande do Sul, quando, na entressafra, o produto apresenta valorização, em conseqüência da redução da disponibilidade nesta época.

É unânime, entre os agentes do mercado, que, no Brasil, existe um volume do cereal suficiente para suprir as necessidades domésticas até o fim deste ano comercial, restando ainda um estoque de passagem maior do que está sendo oficialmente anunciado. Esta, no entanto, nem é a maior preocupação dos operadores, que já trabalham considerando esta realidade.

O que mais preocupa é não saber o que realmente vai ser feito, por parte do governo federal, com este produto (principalmente estoque público) antes da entrada da nova safra. Neste momento, é essa indefinição e morosidade das tomadas de decisão que mais prejudica.

Enquanto das indústrias do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste operam com dificuldades na aquisição da matéria-prima, as beneficiadoras gaúchas demonstram pouco interesse de compra, alegando redução de demanda e das margens nas negociações do fardo. Ao mesmo tempo, os produtores seguem ofertando, pressionados pela necessidade de cumprimento de compromissos assumidos nas safras anteriores e precisando custear a próxima safra.

Em Alegrete, na fronteira oeste gaúcha, a saca de 50 quilos de arroz em casca tipo 1 é negociada, em média, a R$ 21,85. Em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a saca de 50 quilos custa R$ 21,50. Em Sinop, no Mato Grosso, a saca de 60 quilos do primavera vale R$ 30,50. No mercado beneficiado, a saca de 60 quilos vale R$ 60,50 para o agulhinha tipo 1.

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