Preço do arroz já recuperou 1,36% em dezembro
Os valores ainda são indicativos, pois o mercado, muito trancado,
reluta em absorver a valorização e as negociações quase não existem. Cepea indica R$ 22,34 para o arroz gaúcho. Expectativa para o levantamento que Conab e IBGE anunciam segunda.
O valor pago ao produtor pelo arroz gaúcho teve uma recuperação de 1,36% nesta semana, comparado com a última sexta-feira e chegou a R$ 22,34 para o produto com 58% de inteiros colocado na indústria, segundo o indicador de preços do Cepea/Esalq/BM&F. Na sexta-feira anterior (30/11) o valor ultrapassou pela primeira vez o mínimo na última quinzena, chegando a R$ 22,04.
O preço do arroz será diretamente influenciado pelo estudo que a Conab divulga nesta segunda-feira em parceria com o IBGE, pela primeira vez, já apontando os novos estoques de passagem no quadro de oferta e demanda.
Segundo os analistas, entre os fatores de influência está o fato da
Conab não ter desovado estoques públicos, algumas indústrias de porte médio terem saído para o mercado em busca de produto e um indicativo de baixo volume disponível no Mercosul.
Já na última semana alguns analistas afirmavam que em cima das variedades de melhor qualidade (nobres) cujos estoques começam a rarear e também por conta dos demais fatores elencados, os preços do arroz tenderiam a uma leve recuperação até o final de dezembro, com preços ainda melhores em janeiro/fevereiro.
O aumento da demanda no Centro-Oeste (onde o arroz gaúcho beneficiado está chegando a R$ 37,00) via corretoras, também ajudou a forçar o mercado para cima.
– A posição do produtor também é muito importante, pois os compromissos de alongamento de custeios já terminaram e a oferta está bastante restrita – afirma o presidente da Federarroz, Renato Rocha. O atraso no plantio da safra gaúcha também é um fator considerado, pois a entressafra foi alongada em algumas semanas.
Ainda assim, a presença de um estoque da Conab de 1,3 milhão de
toneladas de arroz no Rio Grande do Sul, constitui-se em uma espada sobre a cabeça dos arrozeiros.
– Se no primeiro semestre do ano/safra a medida foi salvadora, agora torna-se uma ameaça – frisa um consultor de mercado ouvido por Planeta Arroz.
Segundo o analista, numa avaliação fria é perfeitamente possível dizer que o Brasil está armazenando de forma subsidiada as safras da Argentina e do Uruguai, ao abrir mão de criar mecanismos que ao menos equilíbrem as vantagens competitivas uruguaias e argentinas, como impostos menores e incentivos à produção e ao beneficiamento.
– Basta ver que a importação deve fechar em torno de 1,3 milhões de toneladas e os estoques da Conab, também estão neste volume. Na verdade, o produtor e o governo estão pagando um alto preço para enxugar do mercado o arroz que o Brasil deixou entrar do Mercosul sem estabelecer regras ao menos de igualdade com o arroz nacional – afirmou.
As fontes da revista Planeta Arroz, indicam que a semana comercial chegou ao fim com a saca de 50 quilos (58×10) cotada a R$ 22,50 em Pelotas e Camaquã, Itaquí e Uruguaiana, com frete incluso.
Em Uruguaiana, Alegrete e São Borja, preços médios de R$ 21,50 a R$ 21,75 ao produtor (livre). Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Tapes, Guaíba, Rio Pardo e Agudo, preços entre R$ 21,25 e R$ 21,50 antes da porteira.
No Litoral Norte, com produto diferenciado e o mais alto índice do Rio Grande do Sul de arroz armazenado em silos de produtores, preços para o arroz com 63% de grãos inteiros e das variedades nobres ficaram entre R$ 24,00 e R$ 26,00.
Para melhorar estes preços e enxugar o mercado, os representantes dos produtores estão tentando de tudo. O coelho da cartola, no momento, é destinar 200 mil toneladas para doações internacionais à vítimas de catástrofes, o que equivale a aproximadamente a todo o volume de arroz que o Brasil exportou em um ano. Outras 300 mil seriam destinadas ao Fome Zero. O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), é o representante do setor na apresentação da proposta ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. A esta altura do campeonato, para liberar os silos gaúchos sem jogar o produto no mercado derrubando preços, mesmo as soluções julgadas mirabolantes seriam válidas.
O analisa de Safras & Mercado, Tiago Sarmento Barata, considera
importante a recuperação de preços e lembra que historicamente o
período de entressafra apresenta os melhores preços. Entende que embora não seja tão significativa quanto necessita o setor, a alta é importante.
ESTADOS
Para o Mato Grosso a situação do mercado continua indicando o arroz local com altos preços. Os baixos estoques locais mantiveram os preços na faixa de R$ 30,00 esta semana em Sinop e Sorriso e até R$ 34,00 em Cuiabá/Várzea Grande. Algumas corretoras estão ofertando arroz gaúcho na faixa de R$ 37,00 e com percentual de inteiros acima de 57%.
Em Santa Catarina, os preços se mantiveram abaixo do mínimo na maioria das regiões, com R$ 21,50 a R$ 22,00 em Jaraguá do Sul e no Sul catarinense. A semana foi marcada por mobilizações de arrozeiros no Sul do estado pedindo providências ao governo para os preços atualmente praticados.
INDÚSTRIA
A indústria de todo o país e mais algumas empresas de pequeno e médio porte gaúchas entrando no mercado para comprar arroz, nos últimos 10 dias, mudou parcialmente o perfil dos preços. Até algumas grandes indústrias sairam para sondar o mercado esta semana, mas voltaram para as antigas posições aguardando o anúncio do levantamento de safra. O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos (tipo 1), varia entre R$ 34,00 e R$ 35,00 (final em São Paulo), enquanto em Santa Catarina a média fica entre R$ 37,00 e R$ 38,50. A saca do beneficiado de 60 quilos, é cotada a R$ 44,00, chegando a R$ 60,00 em São Paulo.
DERIVADOS
A confirmação da suspensão da venda de trigo argentino ao Brasil e a ampliação do período, segue afetando diretamente os derivados do arroz para composição de rações. A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica que os preços dos quebrados de arroz continuam em alta. O canjicão manteve-se em R$ 32,00, a quirera chegou subiu mais R$ 1,00 a saca e chegou a R$ 26,00. O farelo de arroz, que já tinha saltado de R$ 290,00 para R$ 320,00 a tonelada na semana passada, subiu mais R$ 10,00 e chegou aos R$ 330,00/t.


