Arroz na indústria já bate nos R$ 23,30

Produtores voltam a receber mais do que o preço mínimo de R$ 22,00 pela saca de arroz no Rio Grande do Sul e o produto deve seguir subindo mais uns dias.

O Natal dos arrozeiros gaúchos será melhor do que o previsto há um mês, com os preços acima do mínimo estabelecido pelo governo federal, em R$ 22,00 pela saca de 50 quilos. O indicador do Cepea/Esalq e BM&F, apontou preço de R$ 23,30 para a saca de 50 quilos (58×10) colocada na indústria (frete incluso). Este preço indica uma valorização de 5,73% em dezembro. Nas praças gaúchas, o arroz deste padrão está valendo entre R$ 22,00 e R$ 22,50 ao produtor, média que deve se manter até o final do ano.

Com o feriadão de Natal na próxima semana e o de Ano Novo na outra, o mercado deve manter-se estabilizado nestes patamares, apesar da expectativa de uma pressão de varejistas, atacadistas e indústrias a partir do anúncio da Conab de um “ajuste” no quadro de oferta e demanda.

CENÁRIO

Apesar de um alarde na cadeia produtiva e nos meios políticos sobre a antecipação deste ajuste pela Conab, o mercado já trabalhava com números até superiores aos indicados, de mais 600 a 700 mil toneladas sobre o estoque de passagem inicialmente previsto, de 505 mil toneladas.

O mercado trabalhava com expectativa de sobra até superior a 1,5 milhão de toneladas de estoque, considerando o produto que está na mão da Conab e dos produtores. Desta forma, a revisão dos números da Conab para um estoque em torno de 1,1 a 1,2 milhão é até positiva e servirá para reafirmar que, não fosse o excesso de importações, o Brasil chegaria ao final do ano com estoques praticamente zerados e preços muito mais atraentes ao produtor. A cadeia produtiva reagiu ao anúncio da Conab e busca mecanismos que neutralizem o impacto psicológico sobre o mercado.

A retração da oferta no Rio Grande do Sul e a presença de algumas das grandes indústrias demandando produto, bem como uma procura maior pelo varejo do que o esperado neste final de ano, são agentes que interferiram na reação do mercado. O baixo estoque do Mercosul e um resultado melhor do que o esperado na exportação, também são coadjuvantes. O câmbio segue sendo um dos vilões do arroz em 2007, como de todo o agronegócio nacional. Um câmbio mais próximo de R$ 2,00 a R$ 2,20 seria ideal, dizem os analistas.

A informação sobre uma previsão de estoques menores do que a estimativa que o mercado vinha trabalhando, entressafra mais alongada no Sul, estoques zerados em quase todos os estados brasileiros e muito baixos no Mercosul, bem como o direcionamento de até 300 mil toneladas dos estoques da Conab para programas sociais nesta virada de ano, são fatores que geram relativo otimismo entre os produtores e a crença na continuidade da escalada de recuperação nos preços ao menos até o pico da entressafra.

Muitas indústrias entram de férias coletivas nesta segunda-feira e só retornam às atividades em sete de janeiro, em razão do Natal e Ano Novo, o que pode gerar uma certa estabilidade nas próximas duas semanas e que causou um aquecimento na demanda nos últimos 15 dias.

PREÇOS

Agentes de mercado consultados pela revista Planeta Arroz indicam que a semana comercial chegou ao fim com a saca de 50 quilos (58×10) cotada a R$ 23,50 em Pelotas e Camaquã, Itaquí e Uruguaiana, com frete incluso. Em Uruguaiana, Alegrete e São Borja, preços médios de R$ 22,00 a R$ 22,50 ao produtor (livre).

Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Tapes, Guaíba, Rio Pardo e Agudo, preços entre R$ 22,00 e R$ 22,30 antes da porteira. No Litoral Norte, com produto de qualidade diferenciada e maior controle dos estoques pelos produtores, preços para o arroz com 63% de grãos inteiros e das variedades nobres ficaram entre R$ 24,00 e R$ 26,00.

ESTADOS

O Mato Grosso, com a previsão de queda produtiva na próxima safra, vive um momento inesperado neste final de ano, com o aumento da oferta por parte dos produtores e cerealistas, o que indica que havia mais produto armazenado do que o inicialmente previsto. Isso, associado à entrada de produto do Sul, gerou uma ligeira queda nas cotações, mas que já estabilizaram no patamar de R$ 30,00, depois de terem encostado em R$ 32,00.

Em Santa Catarina, os preços tiveram leve reação no Sul do estado. A média ficou entre R$ 21,75 e R$ 22,00. Em Jaraguá do Sul o preço ao produtor, segundo o Instituto Cepa, fica entre R$ 21,25 a R$ 21,75. Logo no início de 2008, algumas lavouras mais próximas do Paraná iniciarão a colheita da primeira safra, pois o plantio ocorreu muito cedo com vistas à colheita da “soca” ou rebrote.

INDÚSTRIA

A indústria gaúcha foi às compras com mais força na última semana, até em razão das férias coletivas que muitas anunciaram para o período de festas, confirmando uma alta em torno de R$ 0,50 por saca em algumas regiões, que já era prevista na semana anterior por Planeta Arroz. A presença de grandes empresas importadoras do Sudeste e Nordeste do Brasil confirmando negócios no Rio Grande do Sul, principalmente com variedades nobres, ratifica a baixa disponibilidade de estoques do Mercosul.

LEILÃO

O Sindarroz e o Sindapel pediram a realização de leilões de produto público à Conab, o que foi sentido pelo mercado como falta de arroz nas indústrias. Alguns produtores, no entanto, alegam que parte da indústria poderia estar tentando baixar os preços e evitar alta maior no pico da entressafra (janeiro e fevereiro), bem como recompor o produto depositado.

O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos, beneficiado e tipo 1, é cotado em média a R$ 34,50 e o catarinense, na faixa de R$ 38,00. No caso do produto gaúcho, dependendo da marca e das condições de negociação, o fardo varia de R$ 29,50 a R$ 46,00. O catarinense varia de R$ 32,50 a R$ 47,00. A saca de 60 quilos do beneficiado é cotada a R$ 44,00 e chega a São Paulo na faixa de R$ 60,00 a R$ 61.00.

DERIVADOS

Os derivados mantiveram as cotações. O canjicão é negociado, em média, a R$ 30,00 no Rio Grande do Sul, a quirera a R$ 26,00 e a tonelada de farelo de arroz voltou ao patamar de R$ 320,00, depois de ter alcançado até R$ 360,00 quando a Argentina anunciou a suspensão das exportações de trigo, segundo dados da Corretora Mercado.

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