Arroz fecha 2007 recuperando preços ao produtor

Tendência é mantida no final de ano. Indústrias pedem leilão de arroz da Conab e produtores acusam tentativa de reduzir os preços. Conab precisa encontrar a difícil equação de liberar 1,3 toneladas de arroz dos armazéns gaúchos para a próxima safra sem afetar o preço, que recém ultrapassa o mínimo.

A valorização do arroz em dezembro já alcança 7,17%, em preços pagos ao produtor, segundo o indicador Cepea/Esalq e BM&F. A saca de 50 quilos de arroz em casca, com 58×10, posta na indústria, fechou a sexta-feira cotada a R$ 23,62, com valorização de 30 centavos de real perante a semana anterior. Na maior parte das praças gaúchas, o arroz deste padrão é cotado entre R$ 22,50 e R$ 23,00 livre ao produtor. Se

A valorização do arroz neste mês gerou uma queda-de-braço entre produtores e indústria, com os estoques públicos como pivô.

A indústria quer a liberação de estoques por meio de leilões, alegando que a alta atingirá os consumidores, enquanto os produtores alegam que a medida irá derrubar os preços que ainda não cobrem os custos de produção. E garantem que há 1,2 milhão de toneladas para atender o mercado até a safra. Para a indústria, a demanda será de 2 milhões de toneladas, o que levaria ao leilão de até 800 mil toneladas no pico de entressafra. O governo, por sua vez, precisa liberar armazéns sem afetar os preços de mercado, pois qualquer retração nos valores atuais pode levar a média das cotações abaixo dos R$ 22,00 por saca, que é o mínimo garantido pelo governo.

Ou seja, se a Conab liberar armazéns para os produtores jogando 1,3 milhões de toneladas no mercado, estará afetando os preços que recém cobrem o mínimo. Se não o fizer, não haverá armazéns suficientes para estocar a próxima safra e garantir os novos mecanismos de comercialização. Se leiloar parte dos estoques, atenderá à indústria, mas comprará uma briga com os produtores e jogará os valores médios abaixo do mínimo que o próprio governo garante.

Uma saída está sendo trabalhada pelos técnicos e segundo analistas consultados esta semana por Planeta Arroz, é possível que a Conab realize leilões a partir do final de janeiro com valores e volumes pré-estipulados. Analistas consideram que se programar a liberação de 300 a 400 mil toneladas, com leilões semanais de 50 mil/t, haverá apenas o impacto psicológico no mercado, mas os volumes não seriam suficientes para gerar uma baixa significativa.

“A própria indústria diz que vai faltar 2 milhões de toneladas para atender ao mercado, então 300 a 400 mil toneladas não farão nem cócegas” lembrou um agente de mercado. E a própria Conab já citou que poderá remover mais 300 mil toneladas para programas sociais. O problema é que isso limitaria a armazenagem de arroz para os mecanismos de comercialização no Rio Grande do Sul em 600 a 700 mil toneladas, o que é muito pouco. Seria necessário espaço para pelo menos um milhão de toneladas.

Cenário

As semanas que envolvem Natal e Ano Novo, tradicionalmente, são de baixo consumo de arroz e fraca movimentação do mercado. Ainda assim, pelas circunstâncias da indústria estar comprando arroz, os estoques do Mercosul em baixa e uma pressão dos industriais pela liberação do produto armazenado pelo governo, levam o mercado a uma tendência altista. O indicativo, confirmado esta semana pelo próprio setor, é de que a indústria não tem estoques para garantir o beneficiamento até a safra. A retração na oferta, por parte dos arrozeiros, assegura a continuidade desta tendência por algumas semanas. O foco, agora, está voltado para as medidas que a Conab deverá tomar com relação aos estoques concentrados no Rio Grande do Sul.

PREÇOS

Agentes de mercado consultados pela revista Planeta Arroz indicam que a semana comercial chegou ao fim com a saca de 50 quilos (58×10) cotada a R$ 23,70 em Pelotas e Camaquã, Itaquí e Uruguaiana (frete incluso). Em Uruguaiana, Alegrete e São Borja, preços médios de R$ 22,25 a R$ 23,00 ao produtor (livre).

Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Tapes, Guaíba, Rio Pardo e Agudo, preços entre R$ 22,25 e R$ 22,75. No Litoral Norte, com produto de qualidade diferenciada e maior controle dos estoques pelos produtores, preços para o arroz com 63% de grãos inteiros e das variedades nobres ficaram entre R$ 25,00 e R$ 27,00.

ESTADOS

O mercado de arroz do Mato Grosso manteve a estabilidade de preços na faixa dos R$ 30,00 em Sinop e Sorriso. Depois de um ligeiro aumento na oferta em algumas regiões nas semanas que antecederam ao Natal, o mercado voltou a parar. As indústrias locais observam com atenção a possibilidade de a Conab leiloar produto do Sul.

Em Santa Catarina, os preços tiveram leve reação no Sul do estado. A média ficou entre R$ 21,75 e R$ 22,00. Em Jaraguá do Sul o preço ao produtor, segundo o Instituto Cepa, fica entre R$ 21,25 a R$ 21,75.

INDÚSTRIA

As indústrias gaúcha e catarinense, concentram-se na demanda por arroz dos estoques públicos, mas durante a semana, mesmo com a ressaca do Natal, os corretores gaúchos trabalharam bastante em busca de produto.

O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos, beneficiado e tipo 1, é cotado em média a R$ 34,50 e o catarinense, na faixa de R$ 37,00. No caso do produto gaúcho, dependendo da marca e das condições de negociação, o fardo varia de R$ 29,50 a R$ 47,00. O catarinense, de R$ 33,00 a R$ 47,5. A saca de 60 quilos do beneficiado é cotada a R$ 44,00 no Rio Grande do Sul e chega a São Paulo na faixa de R$ 60,00 a R$ 61.00.

DERIVADOS

Os derivados mantiveram as cotações. O canjicão é negociado, em média, a R$ 30,00 no Rio Grande do Sul, a quirera a R$ 26,00 e a tonelada de farelo de arroz manteve-se em R$ 320,00, segundo dados da Corretora Mercado.

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