Leilão para estabilizar preços na próxima semana
Conab vai leiloar 82 mil toneladas de arroz na próxima semana com o objetivo de estabilizar os preços do arroz. Regras mudaram para evitar especulação ocorrida no primeiro leilão do gênero nesta safra, quando o tiro saiu pela culatra.
Na semana em que a Conab anunciou uma safra de 11,996 milhões de toneladas, o primeiro leilão público de arroz, realizado com o intuito de promover a estabilização dos preços do arroz, que dispararam no mercado interno por influência da alta no mercado internacional, não deu os resultados esperados. Pelo contrário, durante a semana o preço ao produtor manteve a escalada de alta, apesar do aumento da oferta.
Dois fatores frustraram os objetivos governistas na última segunda-feira. A estratégia de algumas empresas de dar lance subindo as cotações e se retirarem da disputa pelos lotes, e uma liminar de uma cooperativa onde estão depositadas 23 mil toneladas de arroz com suspeita, pela Conab, de desviou. Esta ação retirou do pregão 50% da oferta.
Para a próxima terça-feira a Conab mudou algumas regras, obrigando o leilão a ser a viva voz e em lotes fechados, o que a maioria dos corretores e empresas aprovou. Em assuntos como este, não se pode permitir que interesses de uma ou outra empresa interfiram e ditem o mercado.
A performance dos preços internos seguiu os ditames do mercado internacional. Um ciclone que varreu Mianmar, da Ásia, causou sérios prejuízos à cultura do arroz, que seria superavitária e permitiria a exportação de 500 mil toneladas para abastecer outros países do continente. Agora, a expectativa é de que este país demande pelo menos 300 mil toneladas de arroz do mercado internacional. Este fator fez com que o mercado internacional, que estava calmo com as últimas notícias de boas safras pelo mundo, voltasse a reagir com alta.
As cotações do cereal na Bolsa de Chicago subiram novamente, quebrando novo recorde e preocupando os países importadores. No Brasil, no entanto, a má-notícia ficou por conta da incapacidade logística de exportar mais arroz pelo porto de Rio Grande, atualmente tomado pelo aquecimento das exportações de soja. Na disputa com a oleaginosa, o arroz perdeu espaço e as exportações que poderiam ter chegado a 30 mil toneladas em abril, não passaram de 19 mil, ante uma importação de 32 mil toneladas do Mercosul, 60% menor do que no ano passado.
Isso faz prever que o Brasil, recém próximo de exportar 140 mil toneladas, não deverá superar as 500 mil toneladas de exportação, ao contrário do que pensavam os otimistas, mas muito próximo da expectativa da Conab. A tendência é de que maio e junho ainda sejam meses de exportação represada, por conta da disputa dos terminais com a soja.
Assim, no mercado interno, as principais indústrias gaúchas indicam preços de R$ 33,00 a R$ 34,50 para a saca de arroz em casca de 50 quilos, base para 58×10. A oferta aumentou significativamente, mas as empresas trabalham forçando baixa de R$ 0,50 a R$ 1,00 por saca para fecharem as compras.
Desta forma, as cotações referenciais indicam preços de R$ 33,50 para as regiões de Cachoeira do Sul, São Sepé, São Gabriel, Alegrete, Dom Pedrito, Tapes, São Lourenço, Restinga Seca e Venâncio Aires. Nas cidades de concentração industrial como Pelotas, Camaquã, Itaqui, Uruguaiana e São Borja, o arroz chega entre R$ 34,50 e R$ 35,00 colocado dentro da indústria. No Litoral Norte, o arroz de alta qualidade (64%), das variedades nobres, é cotado em R$ 36,00 e, na Fronteira (São Borja e Itaqui) a R$ 35,50 na quitação à vista, com até 60% de inteiros.
INDICADOR
O indicador Cepea/Esalq e BM&F, fechou nesta quinta-feiral registrando preço médio de R$ 35,03 para a saca de 50 quilos (58×10), em casca, posta na indústria gaúcha. A alta nos oito primeiros dias de maio chega a 5,76%.
INDÚSTRIA
O anúncio de novo leilão, com 82 mil toneladas, pela Conab, colocou a indústria gaúcha em uma posição mais confortável, o que permitiu uma estratégia de negociação de preços buscando forçar a redução dos valores sobre a pedida dos produtores. Como a oferta aumentou, as negociações ocorrem caso a caso e de acordo com o vínculo dos produtores com cada indústria. No Mato Grosso a situação é um pouco mais difícil, considerando o baixo estoque e a restrita oferta de produto de melhor qualidade e a preços muito altos (até a faixa de R$ 40,00).
O resultado do próximo leilão deverá referenciar o mercado para a próxima semana.
BENEFICIADO
O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho tipo 1, posto em São Paulo, manteve-se entre R$ 33,00 e R$ 57,00, com média de R$ 43,00 à vista. Aparentemente, as redes de varejo se estocaram bem, pois a demanda segue calma.
MERCADO
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 34,50 para o arroz em casca no Rio Grande do Sul esta semana, R$ 67,00 para a saca de 60 quilos do produto beneficiado (FOB) que chega a São Paulo entre R$ 77,00 e R$ 85,00. A corretora indica ainda preços de R$ 46,50 para o canjicão, R$ 36,00 para a saca de quirera e estabilizados R$ 350,00 para a tonelada de farelo. Todos bastante procurados para exportação e quirera e canjicão com valorização média de R$ 1,50 por saca em uma semana.


