Seagro realiza incineração de arroz contaminado por fungo causador do Beribéri

O processo de combate ao Beribéri no Maranhão começou com um levantamento feito nos municípios atingidos pela doença.

Cerca de 80 toneladas de arroz em casca, vindas das regionais de Imperatriz, Açailândia, Barra do Corda e Santa Inês, contaminadas pelo Beribéri, foram trazidas para São Luís, para serem incineradas. Esse processo foi realizado nesta quarta-feira (20), às 10 horas, pela Cerquip – empresa de tratamento de resíduos, localizada no Distrito Industrial, para onde foi direcionado o arroz interditado.

O processo de combate ao Beribéri no Maranhão começou com um levantamento feito nos municípios atingidos pela doença. Algumas ações foram sendo tomadas, como a interdição do arroz contaminado pelo fungo causador do beribéri – numa ação conjunta realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura (Seagro), Meio Ambiente e Saúde (Visa), em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Incineração – O arroz está sendo incinerado em observância aos princípios legais da legislação ambiental, para que não cause impactos socioambientais. De acordo com o gerente-geral da Cerquip, Fernando Coimbra, este método possui algumas vantagens, reduzindo o volume do material incinerado e não causando impactos ambientais.

Com o processo de recolhimento do arroz, para ser incinerado, foi feita a substituição do produto por outro, sadio, já beneficiado e empacotado. De forma que, para cada quilo de arroz contaminado, foi entregue outro de arroz pronto para consumo.

Numa segunda fase de ações de luta contra o beribéri, acontecerá já na próxima semana, no dia 25, nas regionais de Barra de Corda e Santa Inês, o processo de interdição e substituição de cerca de 112 toneladas de arroz contaminado, para serem incineradas em São Luís. A ação também será desenvolvida pelas três Secretarias em conjunto.

– A Seagro continuará com o trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural nas regiões onde a Síndrome do Beribéri vitimou várias pessoas, tendo o apoio da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp), órgão vinculado à Seagro -disse o secretário adjunto de Agricultura e coordenador do Setor Agropecuário do Comitê de Enfrentamento ao Beribéri, Cristóvão Fernão.

Novas tecnologias – Para o enfrentamento do beribéri, serão criadas Unidades Demonstrativas com equipamentos medidores de umidade, secadores, equipamentos de pré-limpeza, coletores de amostra e construção de silos – uma espécie de local construído de alvenaria, alumínio ou madeira, para melhoramento da armazenagem e proteção do cereal.

– Estaremos, também, dando continuidade a uma série de cursos e treinamentos, capacitando os agricultores familiares, no sentido de armazenarem o arroz em condições sanitárias adequadas para o enfrentamento do beribéri, e também para evitar a perda direta de suas safras – afirma Cristóvão.

O Beribéri – A Síndrome do Beribéri é causada por uma soma de fatores que inclui monotonia alimentar, alcoolismo, contato com agrotóxicos e o arroz contaminado com micotoxinas. Em 2006, ocorreram 466 casos de beribéri com 33 mortes. Em 2007, foram 543 casos notificados e graças às ações integradas, nenhum óbito ocorreu.

A doença acometeu, com predominância, o sexo masculino, na faixa etária de 15 a 50 anos. Entre estes fatores, o arroz é considerado o principal vetor da doença por conta da armazenagem inadequada. O último registro de epidemia de beribéri no Brasil aconteceu entre 1870 e 1910, durante o ciclo da borracha na Região Amazônica, e foi documentado por Josué de Castro no livro Geografia da Fome, de 1946.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter