Peso de 1 milhão de toneladas
Produção: atraso e queda na colheita gaúcha
Clima atrasou a safra gaúcha e reduziu em 12,6% a produção
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As chuvas em excesso que caíram sobre o Rio Grande do Sul em outubro, novembro e dezembro de 2009 terão o peso de 1 milhão de toneladas a menos nos silos do estado. Com mais de 30% da lavoura plantada fora da época recomendada, a safra gaúcha de arroz terá uma queda produtiva de 12,6%. Ela é resultante da redução de 2,4% em área e 10,5% em produtividade. O rendimento por área, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), caiu de 7,15 mil quilos por hectare para 6,4 mil quilos.
A semeadura foi concluída fora do período recomendado devido às condições climáticas desfavoráveis com chuvas em excesso, enchentes e enxurradas, o que provocou replantio em diversas áreas. Ainda segundo a Conab, o uso constante das terras e o mau uso de algumas tecnologias aumentaram a infestação com arroz vermelho, invasora que em algumas regiões mostra resistência aos herbicidas do sistema Clearfield.
A queda de produtividade é mais expressiva nas áreas plantadas com atraso, seja em razão do clima ou da perda de insumos. “Também faltou um pouco de planejamento por parte do produtor”, revela o diretor técnico do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Valmir Menezes. “Era do conhecimento de todos que esse ano haveria a ocorrência do fenômeno El Niño, mas muitos agricultores atrasaram o preparo do solo e depois, quando o clima favoreceu a semeadura, precisaram recuperar essa operação”, acrescenta.
A Depressão Central e a Fronteira Oeste foram as regiões mais atingidas. Em contrapartida, a zona sul, historicamente com menor produtividade em razão do clima, foi menos castigada pelas chuvas e alcançou altos rendimentos. “As operações, principalmente dentro dos preceitos do Projeto 10, foram realizadas dentro da época recomendada”, explica Menezes. Segundo ele, mesmo em áreas onde houve o replantio, já fora da melhor época recomendada, algumas lavouras tiveram um bom desenvolvimento. “Embora com potencial para 10 toneladas, um manejo adequado manteve a produtividade acima de 6,5 ou 7 toneladas, mas não é a regra”, destaca.
FIQUE DE OLHO
Embora a previsão para o próximo ano seja de uma safra com clima favorável (ano neutro ou de La Niña), Valmir Menezes recomenda o plantio antecipado, o planejamento da lavoura de acordo com a disponibilidade de água para a irrigação e a observância das recomendações de manejo para alta produtividade. A expectativa dos analistas é de uma safra muito maior do que a atual, se confirmadas as condições de clima, pois os produtores vão tentar recuperar as perdas da safra atual com o aumento de área e produtividade na próxima. Em plena época de compra de insumos, já se tem a expectativa de aumento de área em até 5% no Rio Grande do Sul e uma colheita acima dos 8 milhões de toneladas no ciclo 2010/11.
Maior climão
Uma condição rara de clima provocou as perdas de mais de 1 milhão de toneladas de arroz na safra 2009/10 do Rio Grande do Sul. O diretor de comunicação da MetSul Meteorologia, Alexandre Amaral Aguiar, explicou que a associação do fenômeno El Niño e um aquecimento que há pelo menos 30 anos não alcançava temperaturas tão altas no Oceano Atlântico gerou maior concentração de umidade e aumento do volume de chuvas no estado.
Historicamente, o fenômeno El Niño é desfavorável à produção de arroz pela alta incidência de chuvas e baixa luminosidade. Nesta safra ocorreu o fenômeno mais forte do século, condição que gerou mais precipitações na Fronteira Oeste, metade sul e Depressão Central gaúcha, gerando prejuízos ao setor arrozeiro. “O aquecimento extraordinário do Oceano Atlântico manteve umidade sobre a região, gerando um cenário extremamente propício ao excesso de chuvas”, destacou.
Ao longo de 2010 e para a safra 2010/11 a expectativa é de um ano neutro ou de La Niña, quando ocorre inverno seco, verão menos chuvoso e muita luminosidade – fatores que favorecem a alta produtividade. “Na entrada da safra as barragens tendem a estar em melhores condições que em 2009. A tendência, nesse momento, é de uma safra com clima muito favorável”, avisa.