Amarelecimento do arroz intriga produtores após sequência de temperaturas baixas
(Por Planeta Arroz) Produtores e equipes técnicas de diversas regiões arrozeiras do Rio Grande do Sul têm relatado, desde os primeiros dias de janeiro de 2026, um quadro disseminado de amarelecimento nas lavouras de arroz. O fenômeno, descrito em alguns casos como um tom amarelado mais intenso ou até levemente alaranjado, chamou atenção pela frequência e pela intensidade com que vem ocorrendo.

Segundo a pesquisadora Mara Grohs, coordenadora da Estação Regional de Pesquisas do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) na Região Central, em geral o sintoma tem relação direta com a queda brusca das temperaturas observada na virada do ano. “Estamos vindo de dois a três dias consecutivos com temperaturas de 10, 11 graus, ou até menos, especialmente à noite e no início das manhãs. Esse resfriamento súbito gera esse aspecto amarelado nas plantas”, explica.
A resposta das cultivares ao frio, destaca a pesquisadora, varia de maneira significativa. “Há diferenças claras entre genótipos quanto à tolerância. A maior parte começa a apresentar esse efeito visual com temperaturas entre 15 e 17 graus. Outros materiais mais sensíveis podem sofrer alterações já com 18 ou 19 graus”, descreve. Ela observa também que algumas variedades estão manchando mais visivelmente, enquanto outras demonstram maior estabilidade fisiológica.
Apesar da preocupação gerada pelo aspecto visual da lavoura, Mara Grohs pondera que o dano real causado pelo frio não está necessariamente ocorrendo neste momento. O risco agronômico mais relevante depende do estádio fenológico da cultura. “O período mais sensível do arroz às baixas temperaturas é o final do emborrachamento, quando ocorre a formação do grão de pólen. O segundo período mais crítico é a floração. Se a lavoura não está nessas fases, é possível que o problema atual seja apenas visual”, afirma.
A pesquisadora enfatiza que qualquer avaliação conclusiva sobre perdas deve ser feita somente após a colheita. “Não adianta especular agora. O que realmente determina se houve dano é a esterilidade das espiguetas. Se houver produção elevada de grãos estéreis, aí sim poderemos relacionar diretamente ao episódio de frio”, destaca.
Até lá, técnicos recomendam acompanhamento constante, registro fotográfico das áreas afetadas e cautela na tomada de decisões, já que a aparência “que assusta”, segundo Mara, nem sempre se traduz em prejuízo produtivo.



1 Comentário
Bruzone. Tem que colocar um foliar ou uma uréia e o arroz se atipa! E tratar com fungicidas e inseticidas pro percevejo não atacar! Imaginem o custo da lavoura esse ano para depois vender o saco a R$ 50. É muito triste a vida do arrozeiro!