É falso que FDA e OMS disseram que o arroz causará câncer até 2028
Organização Mundial da Saúde nega informação disseminada em post; agência reguladora dos EUA não fez alegações mencionadas
(Por Evelyn Fagundes / Lupa ) Circula no Facebook e no Instagram um texto afirmando que o arroz causará câncer nos consumidores até 2028.
Segundo as publicações, a declaração teria sido feita pela FDA (Food and Drugs Administration) , agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à Anvisa no Brasil.
O post ainda alega que a OMS (Organização Mundial de Saúde) também havia confirmado a informação. É falso.
“O arroz causará câncer em você até 2028, confirma Food and Drug (FDA) agora em maio de 2026. A nova adição de conservantes (nitritos e nitratos) para prolongar a vida útil do arroz irá gerar substâncias como nitrosaminas, que são altamente prejudicial (mortal) as células do corpo humano. Os conservantes Nitritos e Nitratos que está sendo colocado na produção do arroz, são combustíveis 100% eficaz para ativar bactérias no estômago, e isso convertem-se em nitrosaminas, compostos altamente tóxicos e cancerígenos terminal […] Segundo a OMS, a cada 5g de arroz ingerido com a nova fórmula irá aumentar em 98% câncer terminal nos próximos anos […] O Sistema não quer que todos saibam disso. Compartilhe essa informação, salve você e sua família pelo o que está por vir””
FALSO
Não foi identificado qualquer comunicado emitido pela FDA afirmando que o arroz causará câncer. Também não foi encontrada nenhuma publicação da OMS sobre o tema. Em nota enviada à Lupa, a Organização Mundial da Saúde desmentiu a história.
“É falso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha dito que haveria aumento de 98% nos casos de câncer a cada 5 gramas de arroz ingerido. A OMS também não fez qualquer alerta recente sobre presença de conservantes nocivos à saúde no arroz.
Ter uma alimentação baseada em alimentos in natura, como o arroz, é um dos hábitos saudáveis de vida”, pontuou no comunicado.
A Lupa também localizou um texto da própria Organização Mundial da Saúde que cita o arroz como um dos cereais importantes para uma dieta saudável. “Uma alimentação saudável é composta por uma combinação de diferentes alimentos. Estes incluem:
– Alimentos básicos como cereais (trigo, cevada, centeio, milho ou arroz) ou tubérculos ou raízes ricas em amido (batata, inhame, taro ou mandioca).
– Leguminosas (lentilhas e feijões).
– Frutas e verduras.
– Alimentos de origem animal (carne, peixe, ovos e leite)”
Nitrito e nitrato
O post desinformativo alega que as substâncias nitritos e nitratos seriam adicionados ao arroz como conservantes e que isso causaria câncer. Os compostos, no entanto, não são utilizados durante o processamento do grão.
Nitritos e nitratos podem estar presentes naturalmente em vegetais ou ser usados como conservantes em carnes processadas.
Consultado pela reportagem, o nutricionista com mestrado em Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center, Lucas Monção, explicou que não há evidências científicas de que o arroz cause câncer.
“Os nitritos e nitratos são utilizados em produtos ultraprocessados, principalmente em embutidos como mortadela, salame, presunto e salsicha”, afirma o especialista. “Esses produtos são classificados pela Agência Internacional de Pesquisas em Câncer [IARC, na sigla em inglês] como carcinógenos do Grupo 1, ou seja, existe evidência científica de associação com câncer.”
Monção ressalta, porém, que isso não significa que qualquer alimento com nitrato ou nitrito represente risco. Em alimentos vegetais, esses compostos aparecem naturalmente e são metabolizados de forma diferente pelo organismo.
“Os alimentos de origem vegetal podem ter nitrato naturalmente, mas isso é totalmente diferente do nitrato presente em embutidos”, explica. “Nos vegetais, o nitrato está associado a vitaminas, compostos bioativos e antioxidantes, que alteram a forma como o organismo metaboliza essas substâncias.”
Estratégia da desinformação
Além de distorcer informações sobre saúde, a publicação utiliza elementos comuns em conteúdos desinformativos. O texto sugere que o leitor compartilhe a mensagem para outras pessoas e afirma que “o sistema não quer que todos saibam disso”, estratégia frequentemente utilizada para dar aparência de revelação a informações falsas.
A reportagem verificou, ainda, que a narrativa desinformativa foi publicada por perfis que a associaram a vídeos sensacionalistas envolvendo cenas de violência ou insinuações sexuais, utilizados como forma de atrair atenção.
Esse tipo de associação busca ampliar o alcance do conteúdo, estimulando visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos e, consequentemente, o engajamento da página.
Desinformação recorrente
A Lupa tem observado que alimentos basilares da dieta brasileira, como o arroz, têm sido apresentados como um “veneno” nas redes sociais por influenciadores sem formação na área da saúde e que ganham dinheiro fácil com a venda de falsas dietas milagrosas.
A combinação do arroz com o feijão, por exemplo, é considerada um superalimento, já que conta com proteínas, fibras, vitaminas do complexo B e minerais como ferro e magnésio.
Em 2025, a refeição foi reconhecida como uma das mais saudáveis do mundo pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
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1 Comentário
Na internet está cheio de nutricionistas e médicos fajutos promovendo as dietas cetogênicas e carnivoras e ordenando que comer carboidratos (arroz e farinácios) é o fator causador de diabetes e obesidades! Incitando as pessoas a pararem de uma vez por todas de comer arroz, feijão, trigo, cevada, etc… Muitos incentivam o uso das canetas emagrecedoras! Se buscarmos orientações de médicos oncologistas e no próprio site do Ministério da Saúde a orientação é de que não se coma mais de 550 gramas de carne e ou embutados semanalmente sob pena de desenvolvimento de câncer de colo retal dentre outros! Enquanto não houver uma punição efetiva para esse pessoal a desinformação vai correr solta e, muitas pessoas inocentes continuarão sendo enganadas por essas inverdades!