Egito cancela licitação de arroz e pretende realizar compras diretas
Com a indústria e comerciantes segurando o produto, país africano busca alternativas .
Pela terceira vez este ano o Egito cancelou uma licitação para aquisições de arroz no mercado internacional. As autoridades do organismo comprador do governo egípcio informaram que a partir de agora serão buscados contratos diretos de compra com empresas e governos internacionais, uma vez que os preços, prazos e especificações do produto ofertados na concorrência foram considerados abusivos. O mercado do Egito vive uma escassez inesperada, apesar de um excesso de um milhão de toneladas do grão frente à demanda local.
"Podemos recorrer à importação de arroz diretamente se as propostas que nos são oferecidas continuarem altas", ratificou o ministro de Abastecimento Khaled Hanafi.
No entanto, agentes de mercado e de tradings internacionais, afirmaram nesta segunda-feira (11/4) que o governo egípicio insiste em obter preços irreais. "Eles poderiam muito bem pedir para o arroz ser oferecido de graça, se querem ainda mais barato. Não vão encontrar alguém para vender diretamente ao Egito porque os preços que buscam estão muito abaixo do que pratica o mercado mundial”, assegurou um “trader” internacional, nesta segunda-feira.
O Egito produziu 3,75 milhões de toneladas de arroz na temporada de 2015, que foram adicionadas ao estoque de mais de 700 mil toneladas remanescente de 2014. Com o consumo em 3,3 milhões de toneladas, seu excedente é superior a 1 milhão de toneladas. Mas, o fracasso do governo para abastecer os estoques públicos no início da temporada deixou-o à mercê dos comerciantes, alguns dos quais não estão dispostos a vender o cereal nos patamares de preços exigidos pelo governo e preferiram deixar o produto armazenado. Por isso, os preços domésticos estão subindo diariamente.
O organismo governamental abriu concorrências internacionais para se abastecer e enfraquecer a estratégia dos fornecedores, mas na sua mais recente licitação, esta semana, recebeu apenas duas ofertas de arroz indiano: uma por US$ 350 a tonelada e outra por US$ 390 por tonelada, de 10.000 toneladas de 5% de arroz quebrado. “Tais ofertas são consideradas baratas em comparação com o preço praticado no mercado internacional para o arroz indiano, entre US$ 370 e US$ 380 por tonelada”, disse um trader alemão. Segundo fontes internacionais, o Egito estaria disposto a adquirir até 350 mil toneladas, mas vem forçando a compra de volumes pequenos, entre 10 mil e 30 mil toneladas, sem sucesso, para testar o mercado interno.
Também para evitar a escalada de alta no mercado interno e forçar as vendas dos estoques, o governo do Egito disse na semana passada que iria reeditar uma proibição de exportação de arroz.


