Mercado de arroz no RS segue dividido, com pressão de custos e expectativa por leilões

 Mercado de arroz no RS segue dividido, com pressão de custos e expectativa por leilões

(Por AgroDados/Planeta Arroz) O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul manteve um comportamento heterogêneo na última semana, refletindo um ambiente de negócios marcado por incertezas, custos elevados e expectativa em torno de medidas de apoio à comercialização. A divulgação dos editais dos leilões de PEP e Pepro segue como principal fator de direcionamento das negociações no curto prazo.

Do lado da demanda, o cenário é dividido. Parte dos compradores elevou suas ofertas na tentativa de recompor estoques, diante de necessidades pontuais de abastecimento. Outra parcela, porém, permanece retraída, aguardando maior clareza sobre os mecanismos que serão operacionalizados pelo governo federal, especialmente via Companhia Nacional de Abastecimento.

Entre os produtores, o comportamento também varia. Agricultores com maior necessidade de liquidez intensificaram as vendas no mercado disponível no início da semana. Já aqueles em melhor posição financeira optaram por segurar a oferta, insatisfeitos com os preços praticados e priorizando o avanço da colheita.

Clima e custos seguem no radar

As atividades no campo foram parcialmente impactadas por chuvas em algumas microrregiões, o que dificultou o ritmo da colheita tanto do arroz quanto da soja. Paralelamente, o aumento dos custos de produção — especialmente insumos e combustíveis — continua pressionando as margens e influenciando as decisões comerciais.

No campo institucional, os recursos destinados aos leilões foram ajustados para R$ 56 milhões, abaixo dos R$ 90 milhões inicialmente sinalizados. Ainda assim, agentes do setor mantêm expectativa positiva quanto à efetivação dos mecanismos, que podem contribuir para o escoamento da produção e dar sustentação aos preços.

Preços mostram variações regionais

Com o avanço da colheita da safra 2025/26, a ampliação da oferta em determinadas regiões tem intensificado a diferença de preços no Estado. Em áreas com maior disponibilidade, há pressão de baixa. Já em regiões com menor oferta ou maior exigência de qualidade, as cotações permanecem firmes ou em leve alta.

Entre os dias 10 e 17 de abril, o indicador do CEPEA em parceria com o IRGA registrou alta de 0,39%, fechando a R$ 63,13 por saca de 50 quilos.

No recorte regional:

  • Houve alta na Depressão Central, Zona Sul e Planície Costeira Interna;
  • Campanha e Fronteira Oeste apresentaram recuos;
  • A qualidade do produto colhido tem sido um fator de sustentação dos preços
  • Rendimentos frequentemente iguais ou superiores a 60% de grãos inteiros.

Colheita avança no Estado e no país

Segundo o IRGA, a colheita no Estado atingiu 79,3% da área semeada na semana passada, equivalente a mais de 707 mil hectares. A Planície Costeira Externa lidera os trabalhos, seguida por Zona Sul e Planície Costeira Interna, enquanto regiões como Campanha e Central ainda apresentam maior atraso. Agora, já alcança 88%.

No cenário nacional, o avanço da colheita alcançou cerca de 68,4%, com destaque para estados como Goiás e Santa Catarina, que já se aproximam da conclusão. No geral, já alcança quase 75%.

Produção menor e estoques em queda

O 7º levantamento da safra divulgado pela Conab aponta redução na produção brasileira em relação ao ciclo anterior. A estimativa foi revisada para 11,11 milhões de toneladas, com queda associada principalmente à redução da área plantada, influenciada por custos elevados, concorrência com outras culturas e cenário internacional.

A área cultivada recuou cerca de 13%, com retração tanto no sistema irrigado quanto no de sequeiro. Os estoques finais também devem cair, projetados em 1,7 milhão de toneladas até fevereiro de 2027.

Mercado atento aos próximos movimentos

Com oferta crescente no curto prazo, custos pressionados e dependência de medidas de apoio, o mercado segue sem direção única. A implementação dos leilões e o comportamento dos produtores nas próximas semanas serão determinantes para a formação de preços e o equilíbrio entre oferta e demanda no Estado. Aguarda-se o lançamento dos editais dos leilões de PEP e Pepro até a próxima sexta-feira (24/4).

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