Safra 2016/17 pode reduzir perto de 10% da área, segundo Federarroz

Em entrevista ao Canal Rural, vice-presidente de Mercado e Política Agrícola da Federação, Daire Coutinho, que também preside a Câmara Setorial, avalia que a descapitalização do setor e a dificuldade de acesso ao crédito devem interferir na decisão do plantio.

O vice-presidente de Mercado e Política Agrícola da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) Daire Coutinho, fez uma previsão nada otimista para a área de plantio do Rio Grande do Sul na próxima temporada, que começa em setembro: a redução de até 10% da área, o equivalente a 100 mil hectares. A declaração foi feita em entrevista ao Canal Rural.

Segundo ele, o custo de produção, que subiu mais de 17% na temporada 2015/16 e deve ter mais ajustes até o período de pré-plantio, a descapitalização dos agricultores e as dificuldades de acesso ao crédito são os fatores que podem determinar este comportamento. Na atual temporada, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) o Rio Grande do Sul semeou 1,065 milhão de hectares. Cerca de 50% da safra está colhida, representando um atraso importante e perdas em produtividade. O excesso de chuvas atrapalhou as operações de plantio e gerou perdas em áreas próximas de rios e arroios.

Para Coutinho, a soma de descapitalização, falta de crédito e alto custo de produção gera desestímulo aos orizicultores, que começam a ver a redução da superfície semeada como caminho para a safra que vem. Com a saca de arroz atualmente cotada entre R$ 38,00 e R$ 39,00 ao agricultor e baixa demanda das beneficiadoras, frente a um custo médio estimado pelo Irga acima de R$ 44,00 por saca do cereal em casca nas lavouras, muitos produtores não estão sequer conseguindo cumprir o pagamento do crédito obtido diretamente com as empresas de insumos e indústrias de arroz. Em geral, estes produtores já não têm mais acesso ao crédito oficial.

A quase totalidade dos contratos de financiamento direto venceu entre 30 de março e 10 de abril. Daire Coutinho também sugere a flexibilização dos pagamentos por parte das indústrias que mantêm financiamento direto ao produtor. A recomendação da Federarroz é de que os produtores procurem negociar o cereal acima do seu custo de produção dentro de suas realidades, e, dentro do possível, busquem estender o pagamento através de negociação dos contratos, já que o cenário mostra-se favorável a uma recuperação de preços em função dos baixos estoques nacionais, da safra ajustada e as exportações em alta.

Ao mesmo tempo a Federação vem buscando negociar junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional meios para repactuar as dívidas dos orizicultores cujas lavouras tiveram perdas provocadas pelas enchentes históricas e o granizo, em reflexo ao fenômeno climático El Niño na temporada atual. Só na Depressão Central estima-se que 40% dos produtores foram atingidos com perdas importantes. O momento político, no entanto, vem travando todas as negociações no sentido de parcelar o custeio e as dívidas acumuladas por estes agricultores.

1 Comentário

  • Todos os anos leio aqui que os produtores vao ter que renegociar seus debitos… Eh um empurra com a barriga que ja dura 20 anos (esse ano comemoramos os 20 anos da securitizaçao pra quem nao lembra)… Tenho repetido todos os anos… Tem muita gente plantando com CPR para apenar dar lucro as industrias… Os arrozeiros indiretamente estao ate patrocinando clubes de futebol… Ainda bem que eh o meu time do coraçao… Gastamos R$ 45 a 50 para produzir um saco de arroz e recebemos R$ 38 a 40… Pessoal faz 6 anos que falo aqui… Da na mesma plantar 20% a menos… A relaçao custo x beneficio eh a mesma… Quanto menor a oferta, maiores os preços… Se ano que vem vier o La Nina sera ano de supersafra… Se plantarmos area cheia e nao exportarmos 20% vamos inundar nosso mercado interno de arroz… Consequencia: os preços podem cair a R$ 30… Esse ano o produtor consciente pode fazer Gestao sim dada a previsibilidade climatica… Burrice eh dar 30, 40, 50% do que se colhe para a industria de bandeja… Ano seco eh ano de soja na varzea… Abraços!!!

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