Valorização do arroz é caminho para o equilíbrio e a sustentabilidade da cadeia orizícola

O setor orizícola brasileiro vive um momento de atenção. A última safra resultou em uma oferta superior à demanda, reflexo de um ciclo de preços valorizados no ano anterior, que estimulou o aumento da produção em todo o Mercado Comum do Sul (Mercosul). A combinação de maior disponibilidade interna do produto, consumo estável e o retorno da Índia às exportações pressionou os preços, impactando todos os elos da cadeia.

Para a indústria, a situação se reflete de forma direta: o preço de compra do arroz em casca, mesmo abaixo do mínimo garantido pelo governo, não se traduz em ganho real para as empresas, já que o valor do arroz beneficiado também recua, enquanto os custos industriais e logísticos – energia, mão de obra, transporte, embalagens e tributos – permanecem os mesmos.

Quando os preços praticados ficam inferiores ao mínimo sustentável, outro efeito se manifesta: a deterioração da referência de mercado. O valor do produto deixa de refletir os custos reais, e o preço de equilíbrio desloca-se artificialmente para baixo. Além disso, mesmo com a superoferta interna, a competitividade nas exportações é limitada pelos custos logísticos e por um mercado externo menos aquecido.

Esse cenário, embora desafiador, constitui um movimento cíclico e conjuntural, típico de setores sensíveis às variações de mercado e de clima. Não há indícios de crise estrutural, mas sim de um desequilíbrio temporário entre oferta e demanda, cuja correção depende de estímulos ao consumo doméstico e da retomada do ritmo das exportações.

A demanda por arroz no Brasil tem se mantido estável nos últimos cinco anos. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse indicador deve atingir cerca de 11 milhões de toneladas na safra 2025/26, reforçando a importância do cereal na base alimentar da população. Mais do que um produto agrícola, o arroz é um alimento essencial para a segurança alimentar e nutricional das famílias brasileiras. A sustentabilidade da cadeia orizícola depende da união de produtores, indústria e consumidores em torno desse propósito.

Com esse olhar, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) lançou, neste ano, a campanha Arroz Combina, viabilizada com recursos do Fundo de Promoção, Pesquisa, Inovação e Incentivo ao Consumo de Arroz (Fundarroz) — formado por contribuições de indústrias e cooperativas associadas. A iniciativa inédita busca resgatar o hábito de consumo, combater a desinformação e destacar os atributos nutricionais do arroz.

Resultado de uma cadeia produtiva moderna, tecnificada e comprometida com a segurança alimentar, o arroz nacional é um produto de qualidade reconhecida e de alto valor agregado. A campanha tem a missão de enaltecer características como versatilidade, saudabilidade e alta rentabilidade — fortalecendo essa percepção entre os brasileiros.

Paralelamente, a Abiarroz mantém o projeto de exportação Brazilian Rice, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, voltado à promoção internacional do arroz brasileiro e à abertura de novos mercados. São iniciativas que expressam o compromisso da entidade com o equilíbrio entre oferta e demanda, a sustentabilidade da cadeia e a competitividade do setor no longo prazo.

Entendemos que a solução para os desafios atuais passa pela ampliação da demanda interna e pela consolidação das exportações, além de medidas estruturantes por parte do poder público. O equilíbrio de mercado deve ser buscado de forma a preservar a rentabilidade dos produtores, a estabilidade da indústria e o acesso da população a um alimento de alta qualidade e valor nutricional.

Valorizar esse produto é reconhecer sua importância econômica e social, reafirmando sua contribuição fundamental para a segurança alimentar e para o desenvolvimento do Brasil. É nesse caminho que o setor continuará avançando e se fortalecendo — com equilíbrio, competitividade e sustentabilidade.

Andressa Silva
Diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz)31

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