Colheita de arroz chega a 87,45% no RS, em ritmo lento. Diferenças regionais se apresentam

 Colheita de arroz chega a 87,45% no RS, em ritmo lento. Diferenças regionais se apresentam

(Por Cleiton Evandro dos Santos, AgroDados/Planeta Arroz) A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul atingiu 87,45% da área semeada até 22 de abril de 2026, conforme levantamento do IRGA. Apesar do avanço consistente nas últimas semanas, o ritmo dos trabalhos segue mais lento que o padrão histórico, refletindo os impactos das condições climáticas ao longo da safra.

As regiões da Planície Costeira Externa (PCE) e da Zona Sul (ZS) lideram o andamento da colheita, com 95,76% e 91,10% das áreas já colhidas, respectivamente, aproximando-se da conclusão dos trabalhos. Na sequência aparecem a Planície Costeira Interna (PCI), com 88,99%, e a Fronteira Oeste (FO), com 88,13%. Já a região Central (83,22%) e a Campanha (76,52%) ainda apresentam maior atraso relativo.

No total, o Estado cultivou 891,9 mil hectares, dos quais cerca de 780,1 mil hectares já foram colhidos, consolidando uma safra que avança, mas ainda carrega reflexos do início mais lento das operações.

Início tardio e clima ditam o ritmo da safra

O desempenho atual da colheita reflete um atraso registrado desde o início dos trabalhos. No fim de março, pouco menos de 40% da área havia sido colhida, índice significativamente inferior ao observado no mesmo período da safra anterior.

Esse descompasso está diretamente associado às condições climáticas, com ocorrência de chuvas frequentes e elevada umidade do solo, que limitaram a entrada de máquinas nas lavouras e reduziram a velocidade das operações em diversas regiões produtoras.

Condição das lavouras foi positiva ao longo do ciclo

Apesar das dificuldades na fase de colheita, o desenvolvimento das lavouras ao longo do ciclo foi considerado, de modo geral, satisfatório. A safra foi favorecida por boa disponibilidade hídrica para irrigação e períodos de radiação solar importantes durante o enchimento de grãos.

Em algumas áreas, no entanto, episódios pontuais de calor intenso e baixa umidade durante a floração trouxeram preocupação com possíveis perdas por esterilidade, o que pode limitar o teto produtivo em determinadas regiões.

Menor área e produtividade consistente

Outro fator que marca a safra 2025/26 é a redução da área plantada. O cultivo ficou abaixo de 900 mil hectares, uma das menores extensões dos últimos anos no Estado.

Ainda assim, a produtividade média esperada permanece em patamar considerado bom, entre 8,5 mil e 9 mil quilos por hectare, o que contribui para sustentar o volume total da produção, mesmo diante da retração de área.

Desuniformidade regional se intensifica

A safra atual evidencia uma heterogeneidade mais acentuada entre as regiões produtoras. Enquanto áreas como a Fronteira Oeste e as Planícies Costeiras avançam de forma mais acelerada, regiões como a Campanha e a Central apresentam maior lentidão, prolongando o calendário da colheita.

Essa diferença regional, embora recorrente, foi intensificada nesta safra pelas condições climáticas irregulares, que impactaram de forma distinta o andamento das operações.

Perspectiva para o encerramento

Com as regiões mais adiantadas já na reta final, a tendência é de conclusão gradual da colheita nas próximas semanas, condicionada à melhora das condições climáticas. As áreas mais tardias devem estender o calendário, mantendo o mercado atento ao ritmo final da safra.

O cenário consolida uma safra tecnicamente bem conduzida, mas operacionalmente desafiadora, marcada por clima irregular, menor área plantada e avanço mais lento da colheita no principal Estado produtor de arroz do país.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter