Arroz perde fôlego em abril, com mercado travado e expectativa por leilões
(Por Cleiton Evandro, AgroDados/Planeta Arroz) Após a forte valorização de cerca de 12% em março, o mercado de arroz entrou em abril em ritmo de acomodação. Os preços ainda acumulam leve alta no mês (0,82% até 23/04), mas perderam força, com recuo ao longo da última semana — de R$ 63,20 para R$ 62,75/sc — refletindo um ambiente de baixa liquidez e cautela.
A colheita avança no Rio Grande do Sul sem pressão significativa de oferta, já que os produtores seguem retendo o produto. Do outro lado, a indústria compra de forma pontual, diante das dificuldades de repasse ao varejo. O câmbio também passou a pesar negativamente: a queda do dólar desde o fim de março reduziu a competitividade do arroz brasileiro no mercado externo.
O mercado agora volta suas atenções para os leilões de PEP e Pepro, que devem contemplar cerca de 350 mil toneladas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Alagoas. A expectativa é de prêmios mais atrativos — podendo alcançar cerca de R$ 70,00 por saca como preço final ao produtor em algumas operações — especialmente quando se considera o subsídio ao escoamento e o custo do frete embutido no cálculo do prêmio. Ou seja, dependendo da distância e da logística, o mecanismo pode elevar de forma relevante o valor efetivo recebido pelo produtor.
No campo financeiro, houve alívio importante: a Farsul e a Federarroz articularam junto ao Banrisul a prorrogação de custeios, além de negociações com Banco do Brasil e Sicoob. A medida reduz a pressão de venda no curto prazo.
No curto prazo, o mercado deve seguir travado, com os próximos movimentos dependendo da confirmação dos leilões e da reação do câmbio.



