2027 vai depender do que o setor fizer agora
Os preços caíram mais de 40%, tanto em reais quanto em dólares
Os números mostram o passado recente e o presente: pico em 2024, queda longa em 2025, piso em 2026. Mas o que vai acontecer em 2027 ainda está em aberto, e depende diretamente de como o setor se comportará ao longo de 2026, especialmente neste momento em que se vende a safra.
De um lado, os preços atuais, na faixa de R$ 53–55 por saca (cerca de US$ 10), ainda não são confortáveis, mas começam a indicar possibilidade de reação caso haja aumento consistente das exportações, aproveitando o arroz barato em dólar, ajuste de área com saída de terrenos marginais e foco em regiões mais eficientes, além de alguma melhora nas expectativas climáticas e macroeconômicas.
De outro lado, as decisões de comercialização tomadas agora terão efeito direto sobre o equilíbrio de estoques que o Brasil carregará para 2027. Se, por medo de repetir 2025, o produtor segurar novamente o arroz esperando altas mais fortes, corre o risco de manter o estoque de passagem elevado, limitando a própria recuperação de preços no futuro. Cada produtor certamente sabe onde aperta o seu sapato, mas é fundamental equilibrar a relação entre oferta e demanda, que tem sido o fator garantidor de preços.
É importante lembrar que o calendário internacional joga peso adicional. Projeções de redução de área nos Estados Unidos – da ordem de 20% a 30% – podem apertar a oferta global e sustentar cotações externas. Ao mesmo tempo, no Brasil, a intenção de plantio só se consolida no segundo semestre, com destaque para os anúncios do Rio Grande do Sul. Se, ao chegar a esse ponto, o mercado enxergar estoques internos mais enxutos, fruto de boa exportação em 2026; queda de área efetiva nos EUA e no próprio RS; e algum risco climático para a próxima safra, a tendência é de um 2027 com preços mais altos e previsíveis do que os observados em 2025/26.
Em outras palavras, estamos vendendo a safra 2026, mas, na prática, estamos precificando 2027. As escolhas feitas agora, entre vender ou segurar, entre focar o mercado interno ou aproveitar o externo, entre insistir em áreas pouco eficientes ou ajustar o tamanho da lavoura, terão reflexos diretos na formação de preço daqui a um ano.
Se o setor aprender com a “escadaria” de 2025 e agir de forma coordenada em 2026, 2027 pode ser o ano em que o arroz deixa de viver entre o pico e o abismo e passa a operar em um corredor de preços menos traumático. Se não aprender, a estatística mostra: o mercado não perdoa os mesmos erros por muito tempo.
