Ventos à favor no exterior
Exportação é vital para reduzir oferta e melhorar preços
O Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas de arroz em 2025, com receita de US$ 457 milhões. Os números representam um aumento de 13% em volume e redução de 18% em valor na comparação com o ano anterior. Senegal, Venezuela e México foram os principais destinos do cereal. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), a partir de levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que comemora o retorno do superávit à balança comercial do país.
Considerando somente o arroz beneficiado — aquele que passa por processos industriais para retirada da casca e do farelo — foram exportadas 953 mil toneladas no último ano, o que representa uma redução de 6% em volume e de 31% em valor em relação a 2024, mas ainda um resultado razoável, considerando a queda dos preços internacionais.
Gustavo Trevisan, diretor de assuntos internacionais da Abiarroz, explicou que, apesar da qualidade inferior, o aumento da oferta de grão proveniente da Índia para diversos destinos mundiais, após a derrubada da suspensão das exportações que durou um ano, levou as cotações asiáticas aos níveis mais baixos dos últimos tempos. Isso impactou a competitividade global e distorceu os patamares de negócios.
“Enquanto a Ásia concluiu sua colheita no fim de 2024 e passou a ofertar volumes elevados a preços mais baixos, o arroz brasileiro manteve custos mais altos e não conseguiu acompanhar essa dinâmica de oferta global ao longo de 2025”, avaliou. “Também enfrentamos dificuldades logísticas, como fretes elevados, e entraves comerciais que limitaram o acesso a mercados estratégicos”.
Brazilian Rice
Por meio do projeto de exportação Brazilian Rice, realizado pela Abiarroz em parceria com a ApexBrasil, a entidade vem intensificando missões e agendas internacionais no intuito de contribuir para a abertura de novos mercados. “É uma estratégia de médio e longo prazo, focada em relacionamento institucional, abertura de canais e construção de confiança com mercados-chave”, afirmou Trevisan. “Em 2026, o cenário internacional seguirá desafiador, com incertezas em relação à Venezuela e às políticas comerciais dos Estados Unidos, que podem impactar a dinâmica global”, concluiu.
Importações têm queda
Em relação às importações, foi registrada queda, tanto em volume quanto em valor. De janeiro a dezembro, foram 1,3 milhão de toneladas adquiridas, com desembolso de US$ 390 milhões. A redução foi de, aproximadamente, 9% e 42%, respectivamente. O arroz importado é majoritariamente beneficiado. Paraguai, Argentina e Uruguai foram os países que mais exportaram para o Brasil no último ano. O Paraguai foi responsável por pouco mais de 800 mil toneladas, em base casca.

