Quando o arroz vai voltar a subir? Setor aponta data para reação dos preços

 Quando o arroz vai voltar a subir? Setor aponta data para reação dos preços

Atualmente, o indicador Cepea/Irga para o arroz em casca gira em torno de R$ 59 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul. Paulo Rossi / Divulgação

Expectativa é de recuperação mais consistente quando o setor definir a próxima área plantada com o cereal

(Por Carolina Pastl / Zero Hora) A recuperação mais consistente dos preços do arroz deve ficar para o final deste ano, quando produtores e compradores tiverem uma definição mais clara sobre o tamanho da próxima safra no Brasil e nos países do Mercosul.

A avaliação é compartilhada por representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), que apontam a intenção de plantio como o principal fator capaz de reequilibrar um mercado ainda pressionado pelo excesso de oferta.

Hoje, o indicador Cepea/Irga para o arroz em casca continua abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal: em torno de R$ 59 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, ante R$ 67 registrados no mesmo período do ano passado.

Em muitas regiões produtoras, inclusive,o valor pago ao agricultor está entre R$ 10 e R$ 15 abaixo do custo de produção.

O cenário é resultado do excedente acumulado nas últimas safras. Segundo a Conab, o mercado ainda carrega cerca de 1,7 milhão de toneladas que não foram absorvidas pelo consumo interno nem pelas exportações, fator que continua limitando a recuperação das cotações.

— Estamos em um momento de ajuste de contas e de acomodação das compras. Quando os preços caem, muitos compradores preferem esperar a próxima baixa. Isso acaba deprimindo ainda mais o mercado — acrescenta o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes.

Apesar da pressão, alguns sinais começam a favorecer uma mudança de cenário. As exportações brasileiras avançam, o dólar mais valorizado aumenta a competitividade do produto nacional e os preços internacionais mostram tendência de recuperação. Além disso, os mecanismos de apoio de escoamento da produção da Conab já operaram cerca de 650 mil toneladas de arroz nas últimas duas safras.

Mas é a área plantada da próxima safra que será o principal termômetro do mercado nos próximos meses, diz o diretor comercial do Irga, Juandres Antunes:

— Estamos vivendo uma crise de oferta. Dentro desse cenário muito difícil, acreditamos que o principal balizador dos preços no segundo semestre será a intenção de plantio da próxima safra, não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Mercosul.

É o que observa também o gerente de Produtos Agropecuários da Conab, Sérgio Roberto Gomes dos Santos:

— Quando essa definição estiver consolidada, provavelmente no final do ano, o mercado conseguirá precificar melhor a oferta futura e isso pode trazer uma reversão mais consistente das cotações.

Segundo Antunes, do Irga, o mercado internacional também começa a emitir sinais positivos. Os Estados Unidos já registraram redução de área cultivada, enquanto problemas climáticos em países asiáticos associados ao El Niño tendem a dar sustentação às cotações globais.

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