Rentabilidade pode provocar uma das maiores reduções estruturais de área de arroz dos últimos anos

 Rentabilidade pode provocar uma das maiores reduções estruturais de área de arroz dos últimos anos

(Por Rodrigo Ramos/ Agência Safras News) A postura mais defensiva dos vendedores segue trazendo relativa sustentação às cotações, especialmente diante da persistência de margens negativas, contribuindo para um mercado mais equilibrado do que aquele observado imediatamente após a colheita. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

Mesmo com essa redução da pressão de venda, a rentabilidade da atividade permanece comprometida. “Os preços continuam abaixo dos custos de produção e inferiores ao preço mínimo oficial, mantendo a relação de troca desfavorável e comprimindo as margens da produção”, exemplifica Oliveira

Esse cenário prolongado de baixa rentabilidade intensifica o desestímulo econômico à orizicultura e passa a influenciar de forma mais significativa o planejamento da próxima safra. “Como consequência, ganham força os indicativos de migração de áreas de arroz para soja e outras culturas no Rio Grande do Sul”, frisa o consultor.

A busca por maior previsibilidade financeira, aliada ao menor carregamento de estoques, torna outras alternativas mais atrativas para parte dos produtores. “Caso esse movimento se consolide, o setor poderá registrar uma das maiores reduções estruturais de área cultivada dos últimos anos”, prevê.

As projeções iniciais para a safra 2026/27 convergem para uma retração de área de pelo menos 5%, com estimativas variando entre 830 mil e 850 mil hectares no Rio Grande do Sul. “Sob a hipótese de redução de área e de recuo mínimo de 5% na produtividade média nacional, a produção brasileira poderá se aproximar ou até ficar abaixo de 10 milhões de toneladas”, pondera.

Ainda assim, os estoques de passagem, projetados próximos de 2 milhões de toneladas novamente, tendem a amortecer parte dos impactos de uma redução da produção, evitando um aperto imediato na disponibilidade interna.

Nesse contexto, as projeções de oferta e demanda para 2027 indicam uma oferta total próxima de 13,3 milhões de toneladas, inferior às cerca de 14,2 milhões de toneladas estimadas para 2026, representando uma redução potencial de quase 1 milhão de toneladas.

Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (25) cotada a R$ 59,45, alta de 1,40% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo era de 0,21%. Ante 2025, a desvalorização atingia 10,39%.

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