Recuo oportuno
Área de longo-fino cai nos EUA, reduz oferta e acirra disputa com Mercosul
A safra 2026/27 marca uma guinada na clássica disputa entre Estados Unidos e Mercosul no arroz de grão longo fino, produto que domina o comércio internacional nas Américas e em parte do Oriente Médio. Depois de anos de expansão e boa disponibilidade, o segmento entra em fase de ajuste na América do Norte, dando espaço ao Brasil, Uruguai e Argentina.
Segundo o USDA (Rice Outlook, maio/2026), a produção total estadunidense de arroz deve cair 15% em 2026/27, para 175,2 milhões de cwt (7,95 milhões de toneladas em base casca). O corte é consequência direta da redução de 17% na área colhida, para 2,27 milhões de acres (918 mil hectares). A produtividade média até sobe, para 7.732 lb/acre (cerca de 8,7 t/ha), mas não compensa o encolhimento do plantio.
O coração do problema está no arroz longo, padrão com o qual os EUA competem com o Mercosul. A produção norte‑americana dessa classe é projetada em 122,5 milhões de cwt (5,56 milhões de toneladas), 20% inferior à safra anterior e menor volume desde 2011/12. Em três ciclos, a participação do arroz longo na produção total do país cai de cerca de 77% para 70%, enquanto o arroz médio e curto ganha peso.
A decisão dos produtores de cortar área tem causa conhecida: preços domésticos deprimidos no pós‑pandemia, custos elevados de fertilizantes e energia, juros altos e concorrência crescente do arroz longo do Brasil e de seus vizinhos, muitas vezes mais competitivo em dólares. No Arkansas, principal estado produtor, o USDA estima 280 mil acres (cerca de 100 mil hectares) a menos em arroz longo, com boa parte das áreas migrando para soja e milho.
Estoques
Apesar da menor safra, os EUA ainda chegam a 2026/27 com estoques elevados, resultado de anos de demanda externa fraca para o seu arroz longo. Mesmo assim, o aperto na oferta já se reflete no preço médio ao produtor: o SAFP para todo o arroz sobe para US$ 13,50/cwt (de US$ 12,10 em 2025/26), com o longo projetado em US$ 12,00/cwt.
No mercado externo, isso significa um competidor tradicionalmente forte – e com imagem consolidada em segmentos como Caribe, América Central e Oriente Médio – atuando com menos volume e com preços relativamente mais altos. Nesse nicho de arroz longo de melhor qualidade, abre‑se uma janela adicional para o Mercosul reforçar presença em destinos historicamente atendidos pelos EUA.

