Irga prevê retração de 3,4% na área do arroz do RS

 Irga prevê retração de 3,4% na área do arroz do RS

Cultura segue uma trajetória de retração e deve ter área de 861,7 mil hectares, segundo estimativa compartilhada na Expointer 2026

(Por Leticia Pasuch/ Correio do Povo) A área semeada de arroz irrigado no Rio Grande do Sul segue em trajetória de retração. Para a safra 2026/2027, a previsão é de que a semeadura seja em 861.778,88 hectares, uma redução de 3,4% ante a área plantada no ano passado, de 891.908,05 hectares. A estimativa foi projetada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) nesta segunda-feira, na Expointer.

Em relação à soja, há também uma redução, ainda que menor. A área destinada ao cultivo do grão nas terras baixas do Estado é de 431.013,93 hectares. No comparativo com a última safra, a retração é de 1,3%, ano em que foram plantados 436.836,77 hectares.

Fronteira Oeste

Quanto ao comportamento nas regiões arrozeiras, a área semeada e a intenção de plantio por orizícola regional será maior na Fronteira Oeste. A intenção é de 247.595 hectares, uma redução de 3,7% ante o ano passado.

O presidente do Irga, Alexandre Velho, destacou que os dados representam praticamente 70% dos produtores gaúchos, e reforçou que eles podem ou não serem confirmados, mas que é uma intenção aos produtores.

A pouca redução na soja em área de arroz tem um viés positivo para o dirigente. “Esta rotação nos garante uma fertilidade e produtividade maior no arroz. Ao confirmar uma área praticamente igual ou muito pequena de diferença do ano passado para este ano, nós também estamos garantindo uma estabilidade produtiva no arroz”. Ele ponderou que, ainda que o ano seja de atuação do fenômeno El Niño, os produtores de soja estão mais seguros para retirar a água das áreas, cenário demonstrado através dos números.

“Vamos ter uma safra muito difícil, e esperamos que os produtores se orientem com seus consultores e tenham muito tato e muito cuidado com a próxima safra. Que vejam bem suas negociações, porque não dá para ficar esperando que os créditos venham de forma muito simples”, destacou o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), Denis Dias Nunes.

Preços menos atrativos

Na avaliação das entidades, os preços seguem menos atrativos, ainda que menos “depressivos” do que nos anos anteriores. A crise chega por excesso produtivo. Por conta do cenário de redução, os preços devem chegar melhores na boca da safra.

O presidente da Farsul, Domingos Velho, destacou que o retrato é fiel, e alertou que os produtores tenham cuidado com o crédito rural, que na sua avaliação, não estão resolvidos, por conta dos baixos volumes no plano agrícola.

“Temos que repensar como cadeia produtiva, uma vez que os recursos neste molde ainda nasceram no momento que o Brasil era importador de alimentos, plantando e colhendo na ordem de 50 a 80 milhões de toneladas. Hoje, estamos com 350 milhões de toneladas.”

Na sua visão, o Plano Safra precisa ser recompensado como cadeia produtiva, considerando que o cenário de produção no agronegócio mudou no Brasil. A entidade irá discutir, nesta semana, a medida provisória do governo federal para a renegociação de dívidas.

Outra preocupação levantada pelo dirigente é com o fenômeno climático. “Em geral, quando temos o El Niño consolidado, temos uma redução de produtividade das áreas arrozeiras do Estado. Já se tem demonstrado que teremos, na primavera e verão, uma intensificação desse ápice, e isso vai refletir na nossa produtividade.”

No evento da entidade, no Dia do Arroz, também foi realizado o lançamento do Dia de Campo Estadual, que irá ocorrer no dia 28 de janeiro de 2027.

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