Arroz deve perder mais uma vez espaço nas lavouras do RS na próxima safra

 Arroz deve perder mais uma vez espaço nas lavouras do RS na próxima safra

Levantamento foi apresentado nesta segunda-feira (31), na 49ª Expointer. Carolina Pastl / Agência RBS

Levantamento do Irga, divulgado na 49ª Expointer, estima 861,7 mil hectares cultivados no próximo ciclo, redução de 3,4%

(Por Carolina Pastl/ Zero Hora) A área destinada ao cultivo de arroz no Rio Grande do Sul deve voltar a encolher na próxima safra. É o que indica o levantamento de intenção de semeadura realizado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), divulgado nesta segunda-feira (31), durante a 49ª Expointer. A projeção é de 861,7 mil hectares, redução de 3,4% em relação ao ciclo anterior, que já havia sido de retração.

Para o diretor comercial do Irga, Juandres Antunes, essa retração revela o efeito da crise sobre o produtor:

— Essa redução tira pessoas do mercado. Em um dado momento de crise, é isso que vai acontecer: está tirando alguém da produção.

E, acrescenta, a retração só não foi maior em razão da dependência da Metade Sul da cultura do arroz, determinada, entre outros fatores, por características geográficas e de relevo da região.

A decisão sobre quanto efetivamente plantar foi influenciada, neste ano, pelo crédito, custos de produção e perspectivas climática, explicaram as autoridades.

— O crédito, por exemplo, não está resolvido. Temos baixos volumes no Plano Safra e, portanto, menor tecnologia no bolso do produtor — lembrou o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes.

Já o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, enfatizou a previsão de chuva na primavera e no verão, estações que concentram o desenvolvimento do cereal no Estado:

— Temos grandes interrogações. O El Niño está demonstrando que veio com muita força. Temos uma conjuntura muito difícil.

A remuneração, por outro lado, deve ser melhor do que a dos últimos anos, quando a saca de 50 quilos de arroz chegou a estar abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal. Enquanto o preço mínimo está em R$ 68,07, o custo médio para o produtor (para implantar a safra) é de R$ 80 por saca.

A parcela da soja no próximo ciclo
A soja, por outro lado, deve ocupar área semelhante ao do ano passado: aproximadamente 431 mil hectares, queda de apenas 1,3%, segundo a intenção apontada pelos produtores. Para o presidente do Irga, Alexandre Velho, esse é um dado “muito positivo”:

— Porque a rotatividade garante a produtividade da lavoura de arroz e estabilidade produtiva, mesmo com área menor.

Retração é maior em algumas regiões
O comportamento, porém, não é uniforme entre as regiões produtoras. Na Fronteira Oeste, que tem a maior área destinada ao cereal no Estado, a redução projetada é de 3,7%, com 247, 6 mil hectares. A maior queda percentual, no entanto, aparece na Planície Costeira Interna, onde a área estimada recua 5,5%, para 129,9 mil hectares.

A área definitiva, vale lembrar, só será conhecida depois que a intenção se transformar em lavoura efetivamente semeada. Os dados divulgados representam 70% da área cultivada no Estado.

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