Abiarroz rebate critérios de levantamento que mediu qualidade do arroz Tipo 1
Associação rebate metodologia de amostragem empregada pela Federarroz para identificar classificação superior ou inferior do produto
(Por Victor Faverin/ Canal Rural) A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) divulgou nota ressaltando que eventuais não conformidades identificadas em marcas que comercializam arroz tipo 1 (classificação que exige o mínimo de 92,5% de grãos inteiros e uniformes) devem ser analisadas de forma individual, considerando as características de cada produto, empresa e amostra.
A resposta da entidade acontece em decorrência de levantamento realizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), que identificou inconformidades na classificação de arroz vendido ao consumidor.
A entidade gaúcha fez coletas do produto entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 em 167 estabelecimentos de 32 cidades do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Das 268 amostras comercializadas como arroz Tipo 1 e submetidas à análise em laboratório credenciado, 215, o equivalente a 80,22%, apresentaram classificação inferior à declarada.
A seleção feita pela Federarroz priorizou produtos que apresentavam indícios visuais de desconformidade com a classificação declarada, além de itens encontrados nas menores faixas de preço das gôndolas pesquisadas.
A Abiarroz, por sua vez, considera fundamental a fiscalização do mercado e o cumprimento das normas de classificação do arroz, que garantem transparência ao consumidor e relações equilibradas entre os diferentes elos da cadeia, mas diz não concordar com os critérios utilizados pela Federação.
“Uma possível divergência de classificação não permite, por si só, concluir pela ocorrência de fraude, sendo necessária a apuração pelos órgãos competentes, com análise técnica e direito ao contraditório”, destaca a nota da Abiarroz.
Por fim, a Associação considera importante que resultados de levantamentos direcionados sejam apresentados em seu devido contexto, sem generalizações para todo o mercado. “A indústria brasileira de arroz atua sob normas e controles de qualidade e tem compromisso permanente com a conformidade dos produtos comercializados e com a transparência junto aos consumidores”, diz.
Nas análises do levantamento feito pela Federarroz foram encontradas amostras vendidas como Tipo 1 que apresentaram 18% e 35% de grãos quebrados, índices associados a classificações inferiores dentro dos critérios utilizados na avaliação.
Por conta dos resultados, a entidade afirma que encaminhará às autoridades competentes os resultados das análises e buscará a adoção das medidas cabíveis nas esferas administrativa, cível e penal a partir dos casos encontrados no estudo.
Vale ressaltar que produtos indevidamente classificados como Tipo 1 não representam riscos à saúde, ou seja, são próprios para consumo, mas ocasionalmente não entregam a qualidade que anunciam em suas embalagens.
O debate sobre a qualidade do arroz Tipo 1 também envolve questionamentos sobre o produto encontrado no mercado.
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