Ajuste forçado reduz área e produção de arroz no Mercosul

Os quatro principais produtores de arroz do Mercado Comum do Sul (Mercosul) — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — deverão promover um enxugamento conjunto de 222.931 hectares na área semeada na safra 2025/26. A retração da superfície cultivada, somada à queda na produtividade, deverá resultar em redução de 2,34 milhões de toneladas de arroz em casca, levando a produção total do bloco para 15,19 milhões de toneladas, volume 13,4% inferior ao ciclo anterior.

O movimento é explicado por uma combinação de clima adverso, menor investimento tecnológico e aperto financeiro nas propriedades. O desequilíbrio entre os preços de venda ao longo da cadeia e o aumento do endividamento levaram produtores a cortar custos com insumos, afetando o rendimento médio. Como consequência, os indicadores de produtividade do bloco recuaram cerca de 4,4%.

Brasil puxa a queda em volume
Em termos absolutos, o Brasil lidera a retração. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada deverá encolher 174,4 mil hectares — praticamente o equivalente a toda a lavoura uruguaia —, passando de 1,76 milhão para cerca de 1,59 milhão de hectares (-9,9%). A produção tende a cair 1,7 milhão de toneladas na comparação anual.

Argentina tem maior recuo proporcional
Proporcionalmente, a Argentina deverá registrar a maior queda percentual de produção do bloco (-17,2%), passando de 1,595 milhão para 1,32 milhão de toneladas. A área também deverá encolher 15,7%, reflexo de menor estímulo econômico e de condições climáticas mais nubladas, que limitaram o potencial produtivo.

Uruguai mantém produtividade, mas reduz a escala
Mesmo detendo os melhores índices de produtividade regional, o Uruguai também reduz a área em 7,5% e projeta colher cerca de 200 mil toneladas a menos, impactado por temperaturas mais baixas e menor luminosidade ao longo do ciclo.

Paraguai enfrenta risco climático maior
No Paraguai, o cenário é de maior incerteza. Embora a área avance levemente, parte relevante da semeadura ocorreu fora da janela ideal, comprometendo o potencial das lavouras. A expectativa inicial é de 1,37 milhão de toneladas (-8,1%), mas o resultado poderá ser ainda menor.

A escassez hídrica afetou ao menos 30 mil hectares na bacia do Rio Tebicuary, responsável por cerca de 60% da produção nacional. O atraso no plantio, somado à estiagem mais intensa entre janeiro e fevereiro — período em que o país normalmente já teria 80% da colheita concluída —, elevou o risco de perdas adicionais.

 

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