Alta do diesel pressiona fortemente a rentabilidade do arroz no RS
(Por Farsul) O avanço do preço do diesel no Rio Grande do Sul, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, já produz efeitos diretos sobre a cadeia produtiva do arroz — justamente no momento em que os produtores gaúchos enfrentam a fase decisiva da colheita e a consolidação dos resultados da safra.
De acordo com estudo técnico da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, o arroz é a cultura mais sensível ao encarecimento do combustível entre as principais lavouras do Estado. O aumento recente do diesel S10, que chegou a R$ 7,23 por litro após alta de 21,1% entre o final de fevereiro e o início de abril, eleva o custo de produção em R$ 185,72 por hectare na orizicultura.
Na prática, esse impacto equivale à perda de aproximadamente 2,95 sacos por hectare — um número significativo em um cenário de margens já comprimidas. Segundo a análise, o preço atual do arroz tem sido insuficiente para remunerar adequadamente os custos operacionais, o que torna qualquer variação negativa ainda mais crítica para o resultado financeiro do produtor.
O contexto agrava uma situação já delicada no mercado do cereal. Com baixa liquidez interna e dificuldades na formação de preços mais sustentáveis, o aumento dos custos energéticos atua como um fator adicional de pressão sobre a rentabilidade. A dependência intensiva de mecanização — desde o preparo do solo até a colheita e o transporte — torna o arroz particularmente vulnerável às oscilações do diesel.
Além disso, a disparidade regional nos preços do combustível dentro do Estado amplia as desigualdades de custo entre produtores. Em algumas regiões, o diesel se aproxima de R$ 8,00 por litro, elevando ainda mais o impacto sobre o custo por hectare e reduzindo a competitividade.
A perspectiva futura também preocupa. Simulações indicam que, caso o diesel atinja R$ 8,00 por litro, o impacto sobre o agronegócio gaúcho será ainda mais expressivo — cenário que, para o arroz, pode significar perdas adicionais relevantes em produtividade econômica, comprometendo a sustentabilidade financeira da atividade.
Nesse ambiente, o diesel deixa de ser apenas um insumo operacional e passa a ocupar papel central na definição da viabilidade econômica da lavoura arrozeira. Para os produtores, a combinação entre custos elevados, preços pressionados e incertezas externas reforça a necessidade de gestão rigorosa e amplia o risco de frustração de resultados na safra 2025/26.






