Cerca de 500 marrecos desfilam em Santa Catarina
Aves são usadas por produtores de arroz para ajudar no controle de pragas e plantas daninhas nas lavouras de Rio dos Cedros
(Por Sofia Gonzalez / SCC10) Uma cena inusitada chamou a atenção nas redes sociais e transformou uma rua de Rio dos Cedros, no Alto Vale do Itajaí (SC), em uma espécie de “passarela” para cerca de 500 marrecos. As aves foram flagradas caminhando alinhadas por uma via da cidade, acompanhadas por quatro agricultores.
O registro foi feito durante o deslocamento do grupo entre áreas de cultivo de arroz de uma mesma família de produtores. A cena ocorreu na região central do município e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais pela quantidade de animais e pela maneira organizada como eles caminhavam.
Apesar de parecer um desfile, o deslocamento tem uma explicação ligada diretamente à rotina da agricultura local. Segundo a diretora de Agricultura de Rio dos Cedros, Jessica Figurski, os produtores de arroz da região utilizam os marrecos como parte do manejo das lavouras.
Os animais são levados de uma área de plantio para outra conforme a necessidade dos produtores. Em alguns casos, o caminho pelas estradas facilita a transferência entre diferentes quadras de arroz, principalmente quando uma mesma família possui várias áreas de cultivo próximas.
Marrecos ajudam no controle das lavouras
A utilização de marrecos em arrozais não é uma novidade em Santa Catarina. Publicações técnicas da Epagri apontam que a prática é utilizada no estado como uma estratégia de controle biológico, especialmente contra plantas daninhas como o arroz-daninho. Os animais também podem contribuir para a redução de algumas pragas presentes nas lavouras.
De acordo com informações repassadas pelo técnico em agropecuária Carlos Luiz Zanella, os marrecos passam boa parte do dia nas áreas de arroz. Entre as atividades estão a busca por pragas, plantas indesejadas e grãos que não são aproveitados.
Materiais da Embrapa confirmam que os marrecos utilizados em sistemas associados ao cultivo de arroz podem se alimentar de sementes de arroz-vermelho, outras plantas daninhas, insetos e moluscos. A prática pode contribuir para diminuir a necessidade de herbicidas, inseticidas e outros insumos no manejo da lavoura.
Animais são acostumados a andar em grupo
A formação organizada observada no vídeo também tem uma explicação. Segundo Zanella, os marrecos chegam aos agricultores ainda muito jovens e passam a viver em grupo desde os primeiros dias de vida.
Com o tempo, os animais são condicionados a se deslocar juntos entre o local onde ficam e as áreas de cultivo. Esse comportamento facilita a condução do grupo pelos agricultores durante as atividades de manejo.
A cena registrada em Rio dos Cedros, portanto, é resultado de uma prática agrícola que já faz parte da rotina de produtores da região. O que para quem passa pela rua pode parecer um curioso “exército” de marrecos, para os agricultores representa uma etapa do trabalho nas lavouras de arroz.
A utilização dos animais também está relacionada à busca por formas de manejo que reduzam a dependência de produtos químicos. A Epagri destaca que estudos realizados em Santa Catarina comprovaram a eficiência dos marrecos no controle de determinadas plantas daninhas e na redução de algumas pragas.
Por isso, além de render uma cena curiosa e viral nas redes sociais, a caminhada dos cerca de 500 marrecos revela uma prática tradicional da rizicultura catarinense.


