Colheita de arroz no RS avança para 55%, mas é mais lento que em safras anteriores
(Por Cleiton Santos, AgroDados/Planeta Arroz) A evolução da colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul na safra 2025/26 já ultrapassa a metade da área cultivada, mas o ritmo segue mais lento quando comparado a temporadas anteriores, indicando um avanço mais irregular entre as regiões produtoras. Dados do IRGA apontam que 55,5% dos 891,9 mil hectares semeados já foram colhidos, o equivalente a aproximadamente 495 mil hectares. Apesar de representar maioria da área, o percentual ainda é considerado moderado para este estágio do calendário agrícola, especialmente diante de anos recentes em que o avanço já se aproximava ou superava 60% no mesmo período.
A análise regional evidencia forte heterogeneidade. A Planície Costeira Externa (PCE) lidera o avanço, com 68,26% da área colhida, seguida pela Planície Costeira Interna (PCI), com 63,32%, e pela Zona Sul (ZS), com 58,80%. Nessas regiões, o predomínio de tempo seco e temperaturas mais elevadas favoreceu o andamento das operações.
Por outro lado, áreas tradicionais de grande produção apresentam desempenho mais lento. A Fronteira Oeste (FO), responsável pela maior área cultivada do Estado, registra 56,46% de colheita, enquanto a Campanha (CA) e a Região Central (RC) apresentam os menores índices, com 43,15% e 41,75%, respectivamente, evidenciando atrasos mais significativos.
O comportamento mais lento da colheita em 2025/26 tem origem ainda no início do ciclo. As chuvas registradas em outubro reduziram a frequência da semeadura, criando uma janela irregular de implantação das lavouras. Esse descompasso gerou uma espécie de “hiato” também na colheita, que agora se reflete em um avanço menos uniforme entre as regiões.
Além disso, o desenvolvimento das plantas foi impactado por condições térmicas atípicas. Episódios de baixas temperaturas noturnas em novembro e dezembro, seguidos por mais de uma semana de frio em janeiro — com mínimas abaixo de 15°C —, contribuíram para o alongamento do ciclo da cultura. Como resultado, o período vegetativo foi ampliado em pelo menos uma semana, chegando a mais de 15 dias em algumas microrregiões.
Esses fatores, somados a eventos pontuais de excesso de umidade e microclimas adversos — como já observado em áreas da Fronteira Oeste — não apenas atrasaram a colheita, mas também influenciaram o ritmo de maturação das lavouras ao longo do Estado.
Na comparação com safras anteriores, o cenário atual confirma um ritmo mais cauteloso e menos concentrado, diferentemente de anos com maior estabilidade climática, quando a colheita avançava de forma mais rápida e homogênea.
Mesmo com essa lentidão relativa, o quadro geral ainda é positivo. A manutenção de janelas de tempo seco deve permitir a aceleração das operações nas próximas semanas, especialmente nas regiões com maior área remanescente.
A expectativa do setor é de que, com a consolidação da colheita ao longo de abril, o Estado consiga alinhar o ritmo e confirmar uma safra volumosa, ainda que marcada por maior variabilidade regional e por um ciclo mais longo do que o observado nos últimos anos.
Pontos-chave da colheita no RS
Área total: 891,9 mil hectares
Área colhida: 55,5% (≈ 495 mil ha)
Ritmo: mais lento que safras anteriores (normal seria >60% no período)
Semeadura irregular: chuvas em outubro criaram “hiato” no plantio e na colheita
Clima: frio noturno em nov/dez + período frio em janeiro (mínimas <15°C)
Ciclo da planta: alongamento de 7 a 15 dias
Avanço regional:
Impactos: atraso na colheita e maior desuniformidade entre regiões
Cenário
A safra 2025/26 apresenta um padrão distinto dos últimos anos, com colheita mais escalonada e ciclo mais longo. Embora isso represente um atraso relativo no ritmo das operações, não compromete, até o momento, o potencial produtivo global, mas reforça a tendência de maior variabilidade regional na safra gaúcha.



