Comitê do Baixo Jacuí e arrozeiros debatem nesta segunda a falta dágua
Barramento dos rios é crime ambiental e pode trazer implicações para as lavouras de arroz no Rio Grande do Sul. O tema será debatido nesta segunda-feira em Cachoeira do Sul com arrozeiros de três municípios e o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí.
A possibilidade de uma nova estiagem de verão em 2006 será discutida hoje, a partir das 17h, no auditório da Ulbra, entre produtores rurais e integrantes do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí. A reunião, aberta a todos os interessados, terá como principal objetivo a busca por alternativas para o uso racional da água. O barramento do curso de rios é uma prática comum entre produtores que temem ficar sem o suprimento de água nas épocas de seca, mas é considerado um crime ambiental.
Segundo o presidente do Comitê do Baixo Jacuí, Fernando Bernál, várias denúncias foram encaminhadas nas últimas semanas em razão do ataque dos rios e arroios.
– A técnica do barramento eleva o nível de água em um determinado local, mas acaba deixando desabastecido quem está em uma área mais abaixa – explica Bernál. O encontro de segunda-feira contará com produtores de arroz de Cachoeira do Sul, Cerro Branco e Novo Cabrais.
SOLUÇÃO
Segundo Bernál, a discussão com os arrozeiros visa encontrar alternativas para gerenciar o problema de falta dágua nas lavouras.
– As barragens nos rios não são a solução. É preciso definir um escalonamento para o “puxe” de água ou até reduzir áreas. Queremos evitar as multas e processos judiciais que são movidos contra quem ataca o curso de rios. A proposta é resolver o problema sem prejudicar ninguém e ainda preservar o meio ambiente – explica Bernál.
UMA PERGUNTA
Como está o processo de cobrança pelo uso da água?
Antes de avançar na determinação de cobrança pelo uso dos recursos hídricos, a chamada outorga pelo uso da água, os comitês das três bacias hidrográficas terão que definir a forma de arrecadação, quanto será cobrado e onde o recurso será aplicado. Fernando Bernál acredita que nos próximos dois anos esta discussão ficará parada, já que o período é de transição de governo.
– O próximo passo – prossegue Bernál -é a criação das agências das regiões hídricas. Não vamos aceitar que os valores arrecadados sejam destinados para um caixa único. Queremos que o dinheiro da cobrança da água seja revertido para projetos de preservação dos recursos hídricos – explica ele.
O Rio Grande do Sul tem três bacias hídricas (Uruguai, Guaíba e Litoral) para onde correm as águas de sangas, arroios e rios.
ATENÇÃO
A reunião do Comitê do Baixo Jacuí com os arrozeiros terá a participação da União Central de Rizicultores (UCR), Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Coriscal e Batalhão de Policiamento Ambiental.


