Diesel e energia mais caros elevam custo do arroz em seis sacas no RS

Na rizicultura irrigada o aumento dos gastos foi de R$ 218 por hectare.

Os produtores gaúchos estão preocupados com o impacto que o aumento das contas de energia elétrica e do preço do diesel terá nos custos de produção da próxima safra. Um estudo feito pela Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) mostra que os produtores de arroz vão precisar colher seis sacos a mais de arroz por hectare para cobrir o aumento das contas de energia e nos gastos com combustível. A alta de custo do cultivo do arroz irrigado foi calculada em R$ 218/hectare. A média geral foi de R$ 172/ha a mais nos custos de produção de lavouras irrigadas de milho, soja e arroz.

Antonio da Luz, economista da Farsul, diz que a entidade esta se antecipando aos problemas que serão enfrentados pelos produtores na próxima safra. Segundo ele, somente os aumentos na conta de energia elétrica representam R$ 178 a mais de custo por hectare na cultura do arroz. O diesel é responsável por outros R$ 40 de aumento, chegando ao crescimento de custo total de R$ 218 por hectare. O impacto é maior na cultura de arroz porque 100 da área cultivada é irrigada.

Ele observa que 100% da produção de arroz gaúcha é irrigada – e, consequentemente, todos os produtores serão afetados pelos aumentos -, em torno de 9% das lavouras de milho e 1% das de soja se encaixam no perfil, conforme dados da Comissão de Irrigantes da Farsul.

No caso do milho, que tem 9% das lavouras gaúchas irrigadas, aos preços atuais o produtor precisa colher sete sacos a mais por hectare para cobrir a alta de custos. O aumento total de custo ficou em R$ 173 por hectare. Apenas o encarecimento da energia elétrica representa R$ 165 a mais de custo por hectare nessa cultura, diz a Farsul.

No cultivo da soja, em que apenas 1% é irrigado, o produtor terá aumento R$ 172 nos gastos com energia elétrica e diesel. Para cobrir os gastos produtor terá que colher mais três sacos por hectare, levando em conta os preços atuais.

A Farsul critica o fato de as refinarias terem repassado para os consumidores o aumento de R$ 0,15 no imposto federal (Cide). Ele argumenta que as refinarias “teriam margem para absorver esse aumento, sem repassar ao produtor rural”, lembrando que o preço do barril de petróleo caiu de US$ 140 para os atuais US$ 45.

No caso da energia elétrica, a Farsul diz que os cálculos levaram em conta a alta consolidada em 2014 e os 37% de aumento previsto pelo Instituto Acende Brasil para 2015, “considerando o fim do subsídio ao setor elétrico, a elevação do preço de Itaipu e o reajuste anual”. A Farsul defende que o governo mantenha o subsídio ao setor elétrico no uso da energia no meio rural, “uma vez que os investimentos nas redes foram feitos pelos próprios agricultores”.

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