Expectativa de melhores preços em janeiro

O diretor de Mercado da Federarroz e consultor Marco Aurélio Marques Tavares, acredita que o arroz volta a valorizar até a safra.

Expectativa de melhores preços em janeiro

O diretor de Mercado da Federarroz e consultor Marco Aurélio Marques Tavares, acredita que o arroz volta a valorizar até a safra

Enquanto o mercado vive um momento de compasso de espera, com produtores e indústria estudando suas ações para os próximos dias, o diretor de Mercado da Federarroz e consultor Marco Aurélio Marques Tavares, mostra-se otimista com o cenário da comercialização para os próximos 45 dias. Segundo ele, um conjunto de fatores está se somando para que o arroz volte a ter uma recuperação de preços até a safra, que deve concentrar-se no Rio Grande do Sul na segunda quinzena de março. Segundo ele, esta expectativa está baseada em uma projeção numérica que tem como base as informações do governo federal.

Tavares acredita que a valorização deve levar os preços do arroz em casca para patamares muito similares aos realizados em novembro. Isso equivaleria a uma valorização de R$ 1,00 a R$ 2,00 reais por saco de 50 quilos para o arroz padrão (58%) e até R$ 3,00 para o arroz de variedades nobres em algumas regiões gaúchas. Segundo ele, a falta de produto no mercado físico é a principal razão desta expectativa.

– O governo federal tem estoques em torno de 1 milhão de toneladas. Quase todo este volume é de produto de média e boa qualidade. No mercado a disponibilidade de produto de boa qualidade é muito pequena, pois parte significativa dos estoques privados é de arroz Cirad do Mato Grosso. No Sul o volume também é pequeno, em torno de 200 mil toneladas – explica.

Com o governo federal “esterilizando” este volume, sobra cerca de 1 milhão de toneladas no mercado, metade do estoque de passagem da safra passada. Como as indústrias não estão superestocadas, provavelmente haverá busca do produto em janeiro e fevereiro, elevando o piso de negociação do arroz em casca, mesmo que em valores ainda muito abaixo do custo de produção da safra passada.

Além disso, segundo Tavares, o Mercosul está com estoques reduzidos e a qualidade do arroz já não é a mesma do primeiro semestre. Uruguai e Argentina exportaram bastante para terceiros mercados e o preço de internação no Brasil ainda não tem tanta competitividade. Afora isso, o consultor acredita que a tendência de redução da safra brasileira deverá indicar uma produção de, no máximo, 11,5 milhões de toneladas para 2005/06. Ele lembra que o último levantamento da Conab ainda não trouxe dados finais da redução de área no Norte e Nordeste do Brasil.

– A queda pode ser maior ainda – afirmou.

SUSTENTAÇÃO

Como 2006 será um ano eleitoral e o estoque nas mãos do governo federal, apesar de ser uma salvação emergencial para o mercado, torna-se uma espada na cabeça do produtor – uma decisão política pode levar à uma desova a qualquer momento – as entidades arrozeiras já estão tomando medidas para buscar uma sustentação de preços na safra. A meta dos arrozeiros é garantir pelo menos R$ 25,00.

Todavia, esta meta depende de fatores externos também, como a paridade de preços com o mercado internacional. Se no mercado interno o preço do arroz subir muito, fatalmente se abrem as portas para importação do Mercosul e até de terceiros mercados, como os Estados Unidos e a Ásia, como já ocorreu em outros tempos. O papel do Rio Grande do Sul, com mais de 50% da produção nacional, é considerado estratégico para sustentação de preços em 2006.

Um conjunto de medidas, entre eles a alteração da Tarifa Externa Comum para 35% em 2006, está sendo encaminhada ao governo federal pelos arrozeiros gaúchos. Isso criaria uma barreira de contenção para o arroz de terceiros mercados. Medidas de incentivo à exportação de arroz também estão sendo estudadas. E um critério de liberação dos estoques da Conab, também está sendo negociado. Além disso, há um pedido de 500 milhões de reais em EGFs e 300 milhões de reais para outros mecanismos de comercialização do arroz em 2006.

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