Farsul se manifesta sobre o custo de produção do arroz
Schardong: desembolso sugerido pela Conab não tem nada a ver com o custo de produção apurado pela Farsul
Reportagem de Agência compartilhada em Planeta Arroz levou à interpretação equivocada sobre indicadores de custos.
Na última sexta-feira o site Planeta Arroz publicou matéria de autoria de uma agência de informações e mercados falando sobre a preocupação da Farsul com a alta dos custos de produção do arroz. Para Farsul, alta dos custos de produção de arroz é alarmante, é o título da matéria que pode ser conferida no link: http://www.planetaarroz.com.br/site/noticias_detalhe.php?idNoticia=13302 .
O Fórum do Leitor de Planeta Arroz alcançou 29 comentários de assinantes durante o final de semana, especialmente produtores, que não concordaram com as informações publicadas.
A matéria cita que durante a entrevista coletiva de lançamento da 25ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, o presidente da Comissão do Arroz da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul e da Câmara Setorial do Arroz, Francisco Lineu Schardong, teria dito que a estimativa da Farsul era de um custo de R$ 24,00 por saca de 50kg para a safra 2014/2015. Hoje, esse número já está em quase R$ 28 – o que ameaça a renda do agricultor.
NA VERDADE, Planeta Arroz apurou que há um equívoco. O que Schardong afirmou foi que o desembolso medido pela Conab há alguns meses, com o qual a Farsul não concorda, era de R$ 25,00 por saca de 50kg para atual safra, e essa mesma Conab já trabalha com esse desembolso em R$ 28,00 em meio a temporada, o que comprova a alta dos insumos. Francisco Lineu Schardong complementou dizendo: ainda que a Conab verifique o aumento do desembolso, esse valor está distante do custo de produção levantado pela Farsul em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) junto aos produtores, que é de R$ 5.524,43 por hectare.
Por fim, o presidente da Câmara Setorial destacou que a Federarroz contratou uma empresa para fazer um levantamento de custos nas diversas regiões arrozeiras, que será apresentado na Abertura da Colheita. Assim como o levantamento da Farsul, este trabalho mostra que o custo está muito diferente do verificado pela Conab. No fim, ou todos estão certos e a Conab errada ou todos errados e a Conab certa. Francisco Lineu Schardong rechaçou o método de apuração do governo federal, por não condizer com a realidade do que os produtores realmente gastam para produzir. “Na ponta do lápis essa conta deles não fecha de jeito nenhum, e eu tenho dito isso diretamente para o governo nas reuniões da Câmara Setorial, e foi isso que eu disse naquele momento. Lamento que alguém, por ventura, não tenha entendido, mas aproveito a oportunidade para deixar isso definitivamente bem claro”, encerrou.
LADO TÉCNICO
O economista-chefe do Sistema Farsul, responsável pelos levantamentos de custo de produção de arroz, milho, soja, trigo, pecuária de corte e de leite, Antônio da Luz, também apressou-se em corrigir a informação no Fórum Planeta Arroz e em contato com os jornalistas da revista: gostaria de informá-los e, ao mesmo tempo, tranquilizá-los a respeito dos resultados que são extraídos por nossa equipe, em parceria com o Esalq/Cepea, diretamente com os produtores rurais que anualmente, e voluntariamente, participam dos painéis de levantamento que fazemos em Camaquã e Uruguaiana para a cultura do arroz. O custo de produção do arroz, de acordo com nossos levantamentos, está em R$ 5.524,43 por hectare para produtores proprietários. Sendo assim, pode variar entre R$ 35,00 a R$ 40,00 por saca em casca, dependendo da produtividade.
Luz desconfia que o dado mencionado se refira APENAS ao custo do desembolso (fertilizantes, agroquímicos, diesel) informado pela Conab. A informação, aparentemente, era de que pelos próprios dados do governo, o DESEMBOLSO saltou de R$ 25,00 para R$ 28,00 em questão de poucos meses, o que mostra descontrole total da economia por parte do governo federal, ratifica.
Afirma ainda que os custos se encontram em franca elevação e isso pode drenar a lucratividade do produtor. Estamos seriamente preocupados, acrescenta. Antônio da Luz também sugere que os produtores e demais integrantes da cadeia produtiva entrem no site da Farsul e baixem o Relatório Econômico 2014 e Perspectivas para 2015, publicado em 11/12/2014 que também está sendo disponibilizado na área de downloads de www.planetaarroz.com.br ) para ver que quando o relatório foi feito era projetado o custo operacional de R$ 5.000,00 o que comprova que houve um equívoco com a divulgação/publicação desses dados contidos na matéria.
Quem tiver interesse em receber nossa planilha de custos de produção do Arroz, cujos dados estão pareados mensalmente desde janeiro de 2010 e checar exatamente os valores mande-me, por favor, e-mail para assessoriaeconomica@farsul.org.br que teremos prazer em enviarmos, enfatiza.
O economista reiterou o convite para que os rizicultores participem dos painéis de custo de produção e levem suas informações, para que seja possível à entidade trabalhar o mais próximo possível da realidade que o produtor verifica na lavoura. Os próximos levantamentos devem ocorrer em maio próximo nos municípios de Camaquã e Uruguaiana.
Qualquer outra informação a respeito pode ser obtida pelo e-mail assessoriaeconomica@farsul.org.br .



4 Comentários
Queria parabenizar o pessoal da FARSUL pela correção do erro e mostrar um número mais aproximado da realidade, R$5524,43/Ha para PROPRIETARIOS, considerando a produtividade média do RS em torno de 150scs/Ha o arrozeiro dono da terra que não paga arrendamento tem um custo de 36,67
Agora quem não vai colher 150 que não são poucos e os outros que não são proprietários o custo facilmente passa dos 40,00
Me dei o trabalho de pesquisar o custo de produção da CONAB para arroz irrigado no RS e PASMEM em maio de 2014 eles afirmam nas tabelas do seu site oficial R$5.100,00/Ha para uma produtividade de 7200kgs/ha o que daria R$35,41 o custo por saco, segundo o SITE OFICIAL DA CONAB de maio de 2014 para cá tudo subiu e muito, é fácil de achar entrem no site da CONAB e procurem custos, quem foi que falou em 24-28??? com que intenção???
SOJA NA VARZEA NELES
Ouvi falar que a Presidente vetou a emenda do Dep. Heinze e manteve a obrigatoriedade de emplacamentos de tratores e maquinas agricolas??? Isso procede??? Bom dai eh o fim da picada…
A cobrança do emplacamento esta suspensa ate dezembro de 2016 por resoluçao do Contran… A questao eh que o Dep. Heinze apresentou uma emenda no projeto de lei que acabaria para sempre com o fantasma da cobrança so que nossa presidenta vetou tal emenda… Eu pergunto aqui: – Qual de vcs nao tem que passar por uma estrada municipal ou estadual para chegar em suas propriedades???
Boa tarde.
Sr Flávi, pelo que tenho me informado sobre o emplacamento e licenciamento de tratores( salientando o fato de que muitas pessoas que conheço, mesmo não sendo do ramo agrícola , serem totalmente contra esta medida) ela já vale de certa maneira, parcialmente, e ficarão fora do pagamento somente aqueles equipamentos usados única e exclusivamente dentro da propriedade.
É claro que nunca vi uma idéia de aumento de tributação voltar a estaca zero e ser totalmente descartada. A cobrança virá de uma maneira ou outra e certamente estará atrelada as linhas de financiamentos futuros.
É mais um fator de custo a ser discutido ou absorvido no planejamento de custos de novas safra( abertura da colheita deste ano?…).
Bons negócios!