Índia redireciona os estoques de arroz quebrado para produzir etanol
(Por Planeta Arroz, com agências) Em uma mudança política abrangente, o governo da Índia está se preparando para direcionar cerca de 9 milhões de toneladas de arroz quebrado anualmente da Food Corporation of India (FCI) para a indústria de etanol. Essa mudança, alcançada pela redução da parcela de arroz quebrado distribuída pelo sistema público de alimentação de 25% para 10%, visa garantir um fornecimento constante de matéria-prima para as destilarias, ao mesmo tempo que reforça a independência energética da Índia.
Etanol como escudo estratégico
A mistura de etanol na gasolina na Índia já atingiu 20%, um salto notável em relação aos meros 1,5% de uma década atrás. Essa transformação economizou para o país mais de 1,63 trilhão de rúpias em divisas e reduziu as importações de petróleo bruto em 27,7 milhões de toneladas métricas desde 2014. Com a forte alta dos preços globais do petróleo nas últimas semanas, o governo está intensificando seu foco no etanol como uma proteção estratégica contra choques externos.
Um fluxo de matéria-prima confiável
O novo plano acabará com a prática de fornecer arroz integral dos estoques da FCI (Corporação de Alimentos da Índia) para destilarias. Em vez disso, o arroz quebrado — liberado do sistema reestruturado de distribuição de alimentos — servirá como matéria-prima confiável durante todo o ano. Um programa piloto já foi testado em cinco estados, comprovando a viabilidade dessa abordagem. O governo pretende leiloar o excedente de arroz quebrado para produtores de etanol, fabricantes de ração animal e outras indústrias, garantindo a utilização eficiente dos recursos.
Abordando os desafios da indústria
O setor de etanol enfrenta há tempos problemas com interrupções no fornecimento, principalmente durante anos de safras ruins de cana-de-açúcar ou preocupações com a produção de arroz. Ao garantir um fluxo constante de arroz quebrado, o governo visa estabilizar o setor e protegê-lo das incertezas relacionadas ao clima. As destilarias estão sendo incentivadas a acelerar a retirada das cotas atuais, visto que volumes significativos permanecem sem utilização, apesar dos preços reduzidos.
Expandindo o horizonte do etanol
Além de garantir a matéria-prima, a Índia está considerando ativamente aumentar o limite de mistura acima de 20%, estender o uso de etanol ao diesel e promover veículos flex. Essas medidas, uma vez implementadas, aprofundarão o papel do etanol na matriz energética da Índia e reduzirão ainda mais a dependência do petróleo bruto importado.
Milho como uma via paralela
O milho está sendo promovido como uma segunda matéria-prima alternativa, particularmente variedades adequadas ao cultivo em regime de sequeiro. Variedades de alto rendimento em desenvolvimento prometem de cinco a seis toneladas por hectare, oferecendo aos agricultores novas oportunidades e diversificando a cadeia de suprimentos de etanol. Atualmente, 40% da produção de etanol da Índia provém de fontes à base de grãos, com o milho desempenhando um papel central.


