O arroz que foi proibido no Maranhão

 O arroz que foi proibido no Maranhão

Almeida: 30 anos pesquisando o vermelho do Nordeste

 O arroz vermelho é da mesma espécie do arroz branco (Oryza sativa L.). É o mais antigo a ser cultivado no mundo e o primeiro a ser introduzido no Brasil, chegando pela Bahia no Século 16. No Século 17, chegou à capitania do Maranhão, onde passou a ser amplamente cultivado. Em pesquisas sobre a origem deste grão no Brasil, José Almeida Pereira, da Embrapa, descobriu em publicações antigas que as primeiras sementes do cereal introduzidas no Maranhão chegaram ao país trazidas por intermediários vindos do arquipélago dos Açores. Os lavradores locais o disseminaram e passaram a denominá-lo arroz da terra e arroz de Veneza.

Alguns anos depois, em 1765, o arroz branco, vindo de Lisboa, em Portugal, chegou ao Brasil ingressando pelo Maranhão. Os lavradores maranhenses que já cultivavam o arroz vermelho não aceitaram produzir o branco. O governador do Maranhão resolveu então proibir, em 1772, o cultivo das variedades vermelhas. A proibição vigorou por mais de 120 anos. “Com isso, ele praticamente desapareceu do estado, migrando para regiões onde não havia restrição ao cultivo”, diz o pesquisador.

A Paraíba, em especial a região do Vale do Rio Piancó, é um dos estados onde o vermelho foi disseminado e nos dias atuais é considerada o refúgio dessa cultura no Brasil, onde permanece conhecido como arroz da terra. Lá, anualmente são plantados cerca de 5 mil hectares desse cereal, que é a principal cultura da região de solos naturalmente férteis isolada geograficamente e desprovida de tecnologias.

A segunda maior área plantada também fica na Paraíba, no Vale do Rio do Peixe, e diferentemente do Vale do Rio Piancó, recebeu influência de tecnologias levadas pelo governo em razão da localização geográfica acessível. O município de Sousa, onde foi lançada a cultivar BRS 901, está situado nesse vale. O Rio Grande do Norte também mantém a tradição no cultivo do grão colorado, embora em menor quantidade que na Paraíba. No Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo, o cereal é plantado, mas em pequenas quantidades, apenas para subsistência.


FIQUE DE OLHO

O produtor Paulo Sérgio da Silva é um dos maiores produtores de arroz vermelho da Paraíba. Em Souza, utiliza o manejo convencional em 25 hectares situados no encontro do Rio do Peixe com os riachos São Francisco e Cupins. A localização favorece o cultivo, pois é inundada no período das chuvas e permanece com água por vários meses. Ele colhe até seis safras por ano e espera ter avanços com a nova variedade.

Manoel Zacarias produz arroz vermelho orgânico em Piancó e Catingueiras (PB). Técnico em agropecuária, usa a larga experiência em 10 hectares de arroz vermelho e negro certificados pelo IBD e vende para comerciantes de São Paulo. O vermelho convencional é vendido a R$ 1,15 o quilo e o orgânico alcança R$ 6,00.

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