Preços elevados em Santa Catarina dependem da demanda
Com safra maior, indústria catarinense precisa manter-se a ampliar mercados.
Preços ao produtor
Os preços ao produtor continuaram trajetória de crescimento no mês de maio. Comparativamente ao mês de abril, os preços ao produtor catarinense valorizaram em 5,65%, enquanto no mercado gaúcho a variação dos preços foi de 9,75%. Na primeira quinzena de junho, a tendência continua de crescimento, embora a taxas menores do que as observadas no mês passado. Os preços parciais de junho são cerca de 2,5% superiores aos observados em maio em Santa Catarina. Conforme pode ser visto na Figura 1, o comportamento dos preços na safra 2019/20 seguiram comportamento atípico, principalmente a partir de abril deste ano.
O comportamento sazonal indica que entre fevereiro e junho há uma queda acentuada nos preços, em função do período de colheita do grão, que aumenta a oferta interna e exerce pressão de baixa nos preços. Contudo, o avanço do coronavirus no mundo e as incertezas quanto ao abastecimento provocaram uma corrida aos mercados, reduzindo ainda mais os estoques industriais do grão.
Graças a este cenário e combinado à expectativa de safra menor do Rio Grande do Sul, que enfrentou uma severa estiagem, em vez de seguir o comportamento esperado, os preços ao produtor subiram e permanecem com esta tendência.
A permanência dos preços em patamares elevados depende, sobretudo, do comportamento da demanda, haja vista que a safra catarinense de arroz foi maior do que a observada no ano passado. Demanda que já mostra sinais de desaquecimento no varejo.
Preços no atacado
A transmissão de preços entre os elos do sistema agroindustrial é relativamente rápida. Observa-se pela Figura 2 que, entre as safras 2017/18 e 2018/19, os preços se mantiveram relativamente estáveis, oscilando na casa dos R$60,00 o fardo de 30 kg. Contudo, com o aumento dos preços ao produtor, observou-se um incremento mensal de aproximadamente 6% desde março deste ano, com os preços de maio fechando em R$75,72 o fardo de 30 kg (Figura 2). Os repasses ao mercado varejista também já mostram sinais de intensificação.
Mercado externo
O destaque no mercado externo foram as importações realizadas pelo estado de janeiro à maio de 2020, que já representam cerca de 60% de todo o volume importado em 2019 e o equivalente a três vezes o volume importado no mesmo período do ano passado (Figura 2). As principais origens foram Uruguai, Paraguai e Itália, que são parceiros tradicionais do estado. Uma das explicações para esse volume importado são os elevados preços ao produtor no mercado interno.
Por outro lado, o estado exportou, entre janeiro e maio de 2020, cerca de 2,3% a mais do que o volume total exportado em 2019. Considerando o mesmo período do ano, em 2020 Santa Catarina exportou cerca de 9 vezes o volume exportado em 2019. Os principais destinos foram África do Sul, Senegal e Namíbia.
Comparativo de safra
A colheita da safra 2019/20 de arroz irrigado em Santa Catarina encontra-se encerrada. Embora o plantio tenha atrasado em relação à safra anterior, principalmente entre a primeira quinzena de setembro e outubro, em razão da estiagem, o andamento da safra foi normal. A estimativa atual da safra 2019/20 aponta uma estabilidade da área plantada, que deverá ser de 143,05 mil hectares.
A baixa produtividade obtida na safra 2018/19, em razão do excesso de calor ocorrido no período de floração, deverá ser superada na safra 2019/20, fechando em 8.293 kg/ha, cerca de 7,7% maior, gerando uma produção de 1,19 milhão de toneladas disponíveis para beneficiamento no estado.
Cabe destacar o bom desempenho da safra no sul do estado, que confirmou produtividades bem acima das observadas no ano safra anterior, com destaque para as microrregiões de Cricíúma e Araranguá, cujas produtividades superaram as obtidas na safra 2018/19 em 14,74% e 10,63%, respectivamente.
No Alto Vale, o andamento da colheita também confirmou rendimentos superiores ao do ano anterior na microrregião de Rio do Sul. No Litoral Norte e Baixo Vale do Itajaí, observou-se que a safra principal se desenvolveu bem, mas a colheita da soca teve rendimentos baixos, principalmente pela ocorrência de cigarrinha sogata, que trouxe prejuízos para muitas lavouras.
Contudo, ao final da safra apenas as microrregiões de Ituporanga e Blumenau tiveram produtividades menores em relação à safra passada.


