Preços mundiais baixam com o aumento da oferta
O analista Patrício Méndez del Villar, do Cirad francês, diz que os preços atuais não devem baixar muito, à medida que a demanda de países como as Filipinas será relevente este ano.
Tendências do mercado
Em julho, os preços mundiais caíram mais uma vez, em média 10%, devido ao aumento da oferta de exportação e ao fim, ou uma certa flexibilidade, das restrições à exportação por parte dos países asiáticos. Portanto, os importadores estão voltando ao mercado e negociando novos contratos, especialmente com a Tailândia e o Vietnã. Isto implica também que os preços atuais não
devem baixar muito, à medida que a demanda de países como Filipinas será relevante neste ano (2,7 Mt previstas em 2008).
Em julho, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu 39,8 pontos, para 327,0 pontos (base 100 = janeiro de 2000) contra 366,8 pontos em junho. No final de julho, o índice IPO marcava 319 pontos.
Produção e comércio mundiais
As novas estimativas da FAO indicam um incremento da produção mundial em 2007 para 657,2 milhões de toneladas de arroz em casca (equivalente a 438,1 Mt de arroz branco). As projeções para 2008 indicam uma nova alta de 1,4% para 666,4 Mt (444,3 Mt na base arroz branco).
Com a inflação dos preços mundiais, o comércio mundial em 2008 poderia se situar em 29,7 Mt, contra 31,3Mt em 2007. Quanto a um possível aumento das áreas arrozeiras, estimulada por preços mais altos, estas poderiam ser factíveis somente a partir da safra 2008/09.Os estoques mundiais terminados em 2007 foram
estimados em 105,6 Mt, contra 105,1 Mt em 2006. Em 2008, os estoques devem se manter em torno de 106 Mt.
Mercado de exportação
Tailândia
Na Tailândia, os preços de exportação caíram entre 10 e
13% dependendo da categoria do arroz. Em meados de julho, os preços haviam aumentado um pouco em função da revalorização dos preços pagos aos produtores dentro do programa governamental de incentivo à produção arrozeira. Não obstante, as exportações caíram 20% em relação ao mês anterior, obrigando os exportadores a baixar os preços para reativar vendas. Em julho, o Tai 100%B recuou para US$ 753/t Fob, contra US$ 845 em
junho. O quebrado A1 Super caiu para US$ 585/t, contra US$ 674/t.
Vietnã
No Vietnã, os preços também tiveram uma queda significativa de 15% a 16% em julho. O fim do veto às exportações e o aumento da oferta para o mercado externo contribuíram para a baixa dos preços de exportação. Em julho, o Viet 5% marcou uma média de
US$ 720/t contra US$ 866 em junho. O Viet 25% marcou US$ 570/t contra US$ 680 em junho.
Paquistão
No Paquistão, os preços diminuíram de 15% em um mês. É a baixa mais forte observada nos últimos meses. Esta queda contribui para que o Paquistão se posicione, junto com a China, no importante mercado de importação filipino. Em julho, o Pak 25% foi cotado a US$ 725 contra US$ 800 em junho.
Índia
Na Índia, os preços continuam teoricamente sem alterações, mas o veto às novas exportações de arroz, pelo menos até outubro de 2008, não permite avaliar uma posição clara para o mercado indiano. A ausência deste país pesa sobretudo nos preços do arroz
parboilizado, especialmente destinado aos países do Golfo Pérsico e Nigéria, o principal importador africano.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a queda dos preços de exportação foi mais moderada, somente 4%. As vendas caíram novamente em relação a junho. Apesar disso, as exportações do ano comercial (agosto-julho) seguem em alta de 18,5%, em comparação ao ano anterior, na mesma época.
Em julho, o arroz longo Long Grain 2/4 marcou US$ 856/t, contra US$ 894/t em junho. No Mercosul, os preços de exportação baixaram de 4 a 6% segundo a categoria do arroz. Com a tendência baixista dos preços mundiais, Argentina e Uruguai estão
voltando ao mercado brasileiro, o principal cliente destes países.
África
Na África, a inflação dos preços mundiais do arroz, apesar da tendência baixista mundial, sugere a vários países da região a fomentar iniciativas para incrementar ainda mais a produção arrozeira. Durante uma recente conferência da FAO, países africanos propuseram uma niciativa de urgência para relançar a produção de sementes e revalorizar os preços aos produtores,
esperando assim estimular investimentos e o aumento da
produção.
Segundo a FAO, em 2008, as importações africanas poderiam alcançar 9,3 Mt contra 9,8 Mt em 2007.
Tradução e divulgação de:Natural Consultoria & Comunicação


