Pressão de oferta e demanda enfraquecida levaram o arroz ao menor patamar em 14 anos
(Por Planeta Arroz, com informações do Cepea) O mercado brasileiro de arroz atravessou um dos anos mais desafiadores da última década, em termos de preços, em 2025. A combinação de uma supersafra nacional, maior oferta no cenário internacional e enfraquecimento das demandas interna e externa resultou em uma forte pressão sobre as cotações, que atingiram os níveis mais baixos desde 2011.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o excesso de oferta foi determinante para a queda acentuada dos valores do arroz em casca ao longo do ano. “O cenário contrasta com o observado em 2024, quando os preços elevados garantiram uma das maiores rentabilidades já registradas pelos produtores”, explica Lucílio Alves, coordenador da equipe de analistas do Cepea.
Esse contexto favorável no ciclo anterior, segundo ele, estimulou uma expansão moderada da área plantada e um aumento significativo nos investimentos nas lavouras. Aliado a um clima favorável desde o início da semeadura, o resultado foi uma expressiva recuperação da produtividade nas principais regiões produtoras do país.
Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção de arroz na safra 2024/25 alcançou 12,76 milhões de toneladas, volume 20,62% superior ao registrado na temporada 2023/24. O crescimento expressivo da produção, no entanto, encontrou um mercado com dificuldades para absorver a oferta, o que ampliou as dificuldades no momento em que a demanda pareceu baixar e a grande oferta interna foi acrescida das importações, em especial do Mercosul, e da disponibilidade de grãos do exterior..
O Indicador CEPEA/IRGA-RS, que considera arroz em casca com 58% de grãos inteiros e pagamento à vista, registrou quedas sucessivas ao longo de 2025. Segundo o Cepea, as indústrias enfrentaram entraves para escoar o arroz beneficiado, enquanto o varejo demonstrou pouco interesse em realizar novas compras, diante da resistência do consumidor e da desvalorização observada nos elos anteriores da cadeia produtiva.
Como resultado, a média anual do Indicador em 2025 ficou em R$ 71,84 por saca de 50 quilos, representando uma queda de 53,2% em relação à média de 2024. Em termos reais, com valores corrigidos pelo IGP-DI, os preços recuaram ao menor patamar desde junho de 2011.
O cenário acende um alerta para o setor orizícola, que agora busca alternativas para equilibrar oferta e demanda, preservar a rentabilidade dos produtores e evitar novos ciclos prolongados de desvalorização.


