Primeiro embarque de arroz deve ocorrer no fim de agosto
Unidade armazenadora da Cesa será o pulmão para exportação de arroz gaúcho no porto de Rio Grande. Meta é concretizar a exportação de 600 mil toneladas no ano safra.
A unidade da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) do Rio Grande recebeu, na manhã de ontem, a visita dos presidentes do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Maurício Fischer, e da Cesa, Juvir Mattuella, acompanhados de técnicos dos dois órgãos e do deputado federal Cláudio Diaz.
Eles vistoriaram as obras de reativação da unidade como terminal para carga e descarga de arroz. Iniciadas em junho deste ano, as obras consistem na reativação das esteiras de transporte de grãos e cereais desde os silos até os navios, no cais do Porto Novo, e de um dos dois carregadores.
Conforme o presidente da Cesa, as obras de construção civil estão um pouco atrasadas devido a problemas encontrados sob o cais para fazer as fundações dos pilares de sustentação das galerias por onde passam as esteiras transportadoras. Em função disso, acredita que o primeiro embarque de arroz por este terminal deverá ocorrer no final de agosto.
Da parte de construção civil, que inclui a construção de três pilares para as galerias, foram executados até agora 60%. O restante ainda deve se estender por aproximadamente 14 dias. Depois, ainda será necessário aguardar o concreto secar.
A fabricação dos equipamentos – lança da torre de carregamento e a correia transportadora, que ocorre em Porto Alegre, está em 40% atualmente. O gerente da empresa Safra, João Carlos Andrade, acredita que em 20 dias os equipamentos estarão chegando numa chata para serem instalados. Nos silos da unidade, 48 mil toneladas do produto aguardam carregamento.
A maior parte do arroz armazenado até o momento pertence a três tradings – Novel, Ascot e Glencore. Juvir Mattuella observou que há uma demanda muito grande por exportação de arroz e que uma grande operadora indiana procurou a Companhia demonstrando intenção de utilizar o terminal rio-grandino para seus embarques para o exterior.
Meta
O presidente do Irga, relatou que há muita expectativa do setor arrozeiro com relação à reativação da unidade da Cesa como terminal exportador.
– Há muito vínhamos lutando por um canal de escoamento para o arroz que seja constante. Precisávamos de um terminal para termos competitividade – ressaltou.
Fischer explicou que o Rio Grande do Sul produz arroz na entressafra mundial. No período em que a Ásia e os Estados Unidos, principais exportadores, estão plantando, o arroz gaúcho pode entrar no mercado internacional, mas enfrentava dificuldade de embarques devido à competição com o escoamento da soja, que ocorre no mesmo período. Até agora, o arroz armazenado na Cesa é exportado pelos terminais Termasa/Tergrasa, que trabalham com soja.
– Essa obra é uma reivindicação antiga do setor, que tem condições de produzir arroz de qualidade e potencial de produção – salientou.
A produção gaúcha atual é de 7,5 milhões de toneladas e a meta do Irga é exportar 10%.
De acordo com o diretor comercial do Irga, Rubens Pinho Silveira, há compromisso do governo do Estado no sentido de que o terminal da Cesa seja usado preferencialmente para arroz. Silveira relatou que a exportação de arroz não tem tradição no Brasil, assim como no Rio Grande do Sul. No entanto, a produção gaúcha vem aumentando. Nos últimos quatro anos, aumentou 2 milhões de toneladas. Em 2003, ficou em 5,5 milhões de toneladas e este ano em 7,5 milhões.
Com a produtividade crescente e constante, o setor precisa de alternativa para não ficar dependendo do mercado interno. O projeto de exportação começou a ser trabalhado em 2004 e vem crescendo. Em 2004, foram embarcadas 53 mil toneladas de arroz; em 2005, 400 mil toneladas e em 2006, 475 mil. Em 2007, é que reduziu para 313 mil toneladas, devido à queda do dólar que ocasionou perda de competitividade.
– O complexo Termasa/Tergrasa tem como prioridade a soja. Por isso, conversamos com a governadora para a utilização desta unidade – acrescentou.
Melhorias futuras
Esse terminal, segundo ele, é fundamental, pois se faz necessário um “pulmão” para a exportação do produto, que se constitui em uma unidade graneleira, localizada no porto, com possibilidade de carregamento. A partir desta obra, Silveira diz que deverão ser providenciadas outras melhorias, como a implantação de tombadores para descarga direta dos caminhões, visando a agilizar a descarga.
– Este ano, a intenção é chegar a 600 mil toneladas exportadas, nos aproximando da meta, que é 750 mil toneladas (10% da produção gaúcha). O mercado internacional está favorável e tem que ser aproveitado – destacou. O investimento na reativação do terminal é de R$ 469,5 mil.


