Safra de arroz sob La Niña

 Safra de arroz sob La Niña

Mapa com anomalia de temperatura da superfície do mar de setembro mostrava significativo resfriamento do Pacífico Equatorial, indicando a presença de um forte episódio de La Niña

Autoria: Eugenio Hackbart
Meteorologista e Diretor-Geral da MetSul
Meteorologia
www.metsul.com .

Um dos mais intensos episódios do fenômeno La Niña das últimas décadas ocorre neste momento no Oceano Pacífico Equatorial, o que vai ter importantes reflexos na safra de arroz 2010/11 no Rio Grande do Sul. Historicamente, o arroz é beneficiado quando há o resfriamento do Pacífico, uma vez que a chuva tende a diminuir e a insolação ser maior. A esmagadora maioria dos modelos climáticos, projeções realizadas com base em simulações por computador, indica um verão com chuva muito inferior à média nas áreas produtoras de arroz do território gaúcho. A estatística histórica, porém, releva que podem ocorrer períodos chuvosos com volumes extremos localizados. Na média, contudo, a tendência é de forte redução das precipitações. 

Um risco para o arroz em temporadas sob La Niña é o registro de frio em pleno verão. Se sob condições normais já são comuns algumas madrugadas de temperaturas baixas em pleno janeiro, o risco é tremendamente maior quando há o resfriamento do Pacífico. Diferente do inverno, quando as massas de ar polar costumam apresentar trajetória continental, isto é, vindas do Oeste, no verão elas costumam avançar pelo mar no Atlântico Sul. Por isso, a possibilidade de madrugadas frias durante a safra de verão, sobretudo em janeiro, é menor no Oeste gaúcho e tende a ser maior no Sudeste do estado, principalmente nas áreas do Chuí, Jaguarão, Bagé, Dom Pedrito e Livramento. 

Dependendo do índice consultado, o caráter histórico deste La Niña muda. Um dos mais completos, denominado Multivariate Enso Index (MEI), estabelece que o atual evento de La Niña é o mais forte desde 1955, mas entendemos que outros eventos das décadas de 60 e 70 foram mais intensos. A SOI (Índice de Oscilação Sul), usada para monitorar os eventos de El Niño e La Niña, teve em setembro o seu maior valor desde 1917, o que sinaliza um intenso episódio de La Niña em curso. Já a PDO, Oscilação Decadal do Pacífico, outro índice para acompanhamento de El Niño e La Niña, teve em setembro um valor -1,61, o menor em setembro desde 1970 e o sétimo mais baixo para o nono mês do ano em 110 anos.

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