Safra do arroz deve atingir 1,15 milhão de toneladas em Santa Catarina

 Safra do arroz deve atingir 1,15 milhão de toneladas em Santa Catarina

Safra do arroz é positiva em Santa Catarina neste ano

A produção do grão esse ano é, até o momento, 4,3% superior à obtida no ano passado; fator clima é preponderante na alta do produto.

A colheita do arroz teve início em fevereiro em Santa Catarina e vem trazendo números animadores para os agricultores do Estado. A produção do grão esse ano é, até o momento, 4,3% superior à obtida no ano passado. A expectativa de produção é de 1,15 milhão de toneladas. O estado é o segundo maior produtor do grão no país, depois do Rio Grande do Sul. 

Conforme a analista de socioeconomia, Glaucia Padrão, a produção se deu de forma diversa no Estado. No Alto Vale, a safra obtida foi “normal”, se comparada às últimas safras.

No Litoral Norte, conforme a analista, a safra foi positiva, mas a produção da soca (rebrote do arroz) foi muito prejudicada pela cigarrinha sogata (cigarrinha-do-arroz).

“No Litoral Sul, a safra foi espetacular. Entre as explicações estão a adoção de tecnologia e cultivares com alto potencial de rendimento”, explica Padrão.

Na tabela, a área plantada se refere aos hectares plantados na safra 2019/20. E quantidade se refere às toneladas que se estima colher nessa mesma safra (2019/20). A coluna seguinte se refere à variação da produção desse ano em relação ao ano passado.

O preço deste ano também deixa os produtores mais animados. O valor médio da saca de arroz no Estado em abril foi de R$ 51,16 a saca de 50kg.

Agricultores comemoram

A família do agricultor Douglas Costa Coral, de Nova Veneza, no Sul de Santa Catarina, plantou cerca de 130 hectares para a temporada 2019/2020. O agricultor classificou a colheita desse ano como “uma das melhores que a família já viveu”.

“Colhemos 20% a mais que no ano passado, foram cerca de 24.400 sacas”, comemora Douglas. “Os dias mais secos ajudaram. Aqui , como é encosta da serra, normalmente tem muita umidade, o que acaba adoecendo as plantas. Como diz o ditado: a planta de arroz é água no pé e sol na cabeça”, completa.

Também em Nova Veneza, o agricultor Claudionor Roman, de 42 anos, disse estar aliviado após “vários anos ruins”, com a melhora da safra. Com a família o profissional plantou 98 hectares e colheu 18.500 sacas do grão.

“Nós cuidamos muito da safra, mas dependemos do clima, esse ano ajudou. O que ‘mata a gente’ são os custos da lavoura que são bem altos. Fico feliz que o preço da saca ajudou”, relata o agricultor.

O agricultor Adriano Mandelli, de Nova Veneza, trabalha há 28 anos com a plantação do grão. O profissional classificou a safra deste ano como uma das “melhores que já presenciou” em seus anos de profissão.

Adriano plantou 90 hectares do grão e colheu 17.400 sacas. “O preço está compensando e a produtividade foi boa. O segredo talvez seja ter alegria pra trabalhar, é o que sabemos fazer”, afirmou.

Fatores contribuintes

De acordo com o coordenador estadual do programa de grãos da Epagri, Donato Lucietti, o principal fator contribuinte para a safra do arroz em 2020 foi o clima.

“O arroz precisa de muito sol. Quanto mais horas de sol melhor, principalmente na fase reprodutiva [no início de janeiro]”, explica Lucietti. “As temperaturas se mantiveram amenas durante a madrugada e havia muita radiação solar durante o dia, o que é bom para o grão, além do ótimo manejo do agricultor”, pontua.

Outro favor preponderante, para o especialista, foi a baixa umidade do ar. “Não foram altas temperaturas, nem extremamente baixas na fase reprodutiva. Ou seja, houve poucas falhas, a umidade baixa do ar não favoreceu as doenças”, conta.

“A planta de arroz durante o dia vai produzindo energia através da fotossíntese. Se for uma noite quente, parte daquela energia produzida vai ser gasta na respiração porque a temperatura é alta. Como as temperaturas de madrugada são mais baixas, ela respira menos e gasta menos energia”, explica Lucietti.

A expectativa é que em todo o Estado sejam plantados cerca de 147 mil hectares de arroz. Apenas na região Sul, considerando as cidades abaixo de Paulo Lopes, há em torno de 93 mil hectares.

Turvo, Forquilhinhas, Nova Veneza, Jacinto Machado estão entre as cidades do Estado com produtividade “muito acima” dos últimos anos. “Está se esperando uma média de 8,3 a 8,5 toneladas por hectares em média nos principais municípios”, relata Lucietti. 

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